Lúcia Jardim
Direto de Paris
São Paulo
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» Opine sobre o combate à pedofilia
"Uma vez, um homem de 34 anos queria jogar comigo no Pangya, jogo infantil de golfe, disputado entre usuários pela internet e começou a me perguntar onde eu morava. Deixei a sala na mesma hora, porque gente nunca sabe quem está de verdade do outro lado", conta uma estudante de 9 anos, habitante de Paris.
Controle em casa
Em casa, a mãe dela − cujo nome será preservado para a privacidade da menina − tem instalado no computador um programa de controle parental que proíbe o acesso a qualquer página de internet que possua salas de bate-papo ou contenha palavras como "sexo" e "pedofilia". Os programas são oferecidos gratuitamente pelos provedores de internet, ou então podem ser baixados no site do governo francês. Neste caso, o software, Logprotect, impede que o adolescente forneça informações pessoais como nome, idade, telefone ou endereço .
No programa, os pais pré-determinam as respostas que não podem ser enviadas pelo computador e, em caso de tentativa pelo menor, uma janela aparece na tela alertando os riscos de se trocar esse tipo de informação pela internet.
Já na televisão, a imagem das crianças praticamente só aparece em filmes. Nas reportagens, o rosto dos menores é ocultado por efeitos de computador e o nome deles jamais é revelado - mesmo que a notícia trate de temas aparentemente inocentes como compras de Natal. Tudo em nome da proteção da infância contra um problema cujas estatísticas são difíceis de conhecer, mas que ronda a cabeça de qualquer pai quando as notícias de mais um crime de pedofilia voltam às páginas dos jornais.
Pedófilos monitorados
"Não sei se um dia nós chegaremos a um nível de proteção considerado o ideal, mas o fato de os pedófilos soltos depois de cumprir pena serem obrigados a usar um bracelete de segurança, por exemplo, já me deixa bem mais tranqüila", disse a mãe de um aluno de 13 anos de uma escola em Paris, referindo-se à mais recente forma adotada pela Justiça francesa de controlar os passos dos pedófilos quando postos em liberdade.
O bracelete, que funciona por meio de GPS e não pode ser retirado, identifica o paradeiro dos ex-criminosos 24 horas por dia. A Justiça determina os horários e os locais em que eles podem sair. Caso desrespeitem as regras, voltam à prisão.
Redação Terra