França avança no combate à pedofilia

03 de novembro de 2007 • 08h55 • atualizado às 08h55

Lúcia Jardim
Direto de Paris

São Paulo


Pedófilos reincidentes, questionamento se o transtorno tem ou não cura e adoção de novas formas de controle dos passos dos pedófilos em liberdade são apenas algumas das nuances que o assunto ganhou nos últimos meses e não sai mais dos jornais franceses, desde que o presidente Nicolas Sarkozy anunciou que travaria uma cruzada contra esse tipo de crime, no início do mandato.

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A guerra já começa a mostrar suas conseqüências: no dia 12 de outubro, 310 pessoas suspeitas de possuir e distribuir imagens sexuais de crianças foram detidas pela polícia em todo o território francês. A operação resultou na prisão de 163 homens com idades entre 19 e 70 anos - entre eles educadores, militares e diretores de empresas −, que continham fotos e vídeos salvos em seus computadores. Foi a maior operação contra a pedofilia na internet já deflagrada no país.

A polícia chegou aos criminosos a partir de uma investigação cujo principal instrumento era um programa de computador, o Log-P2P. O software identifica, em sites especializados em imagens de pedofilia, quem está "baixando" as fotos ou vídeos, e, dessa forma, facilita a localização dos computadores - e conseqüentemente dos usuários. A posse das imagens pode resultar em dois anos de prisão e 30 mil euros de multa, e a difusão delas é passível de cinco anos de prisão e 75 mil euros de multa.

O programa também armazena um banco de dados com as imagens e, em segundos, faz a comparação dos cenários de novas fotos com as já arquivadas, o que permite a identificação de reincidências de pedofilia.

A caçada aos pedófilos na França, no entanto, ainda esbarra nos casos em que as imagens não são nem salvas nem trocadas, mas apenas vistas, e no anonimato das salas de bate-papo.

"Faz dois anos que lutamos junto ao governo para que as salas de bate-papo passem a funcionar mediante um cadastro dos usuários, de forma que eles possam ser identificados. É muito fácil criar um pseudônimo, dizer que tem 10 anos e se aproximar de uma criança de 8 querendo ser amiguinho", diz Véronique Fimas, da organização Action Innocence (Ação Inocência) na França.

A organização não-governamental, que atua também na Suíça, Bélgica e em Mônaco, visita escolas onde faz palestras ensinando o comportamento adequado das crianças e adolescentes na web, especialmente nos sites de bate-papo.

"Nem é preciso muito esforço para ensiná-los porque os pais, os professores e os programas de televisão alertam o tempo todo sobre este problema, e mesmo os mais novos já sabem que não se deve revelar nenhuma informação pessoal na internet", explica Véronique.

Redação Terra
 
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