Dorothy: assassino é condenado a 27 anos de prisão

22 de outubro de 2007 • 23h58 • atualizado em 23 de outubro de 2007 às 01h56

Lucy Silva
Direto de Belém

Pará


A Justiça paraense manteve por unanimidade a sentença condenatória de Rayfran das Neves Sales, condenado a 27 anos de reclusão em regime fechado pela morte da missionária americana Dorothy Mae Stang, assasinada com seis tiros em fevereiro de 2005, no município de Anapu, no interior do Pará. A missionária tinha 73 anos.

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A segunda sessão do julgamento durou mais de 12 horas. Rayfran das Neves, que já havia sido condenado a 27 anos pelo crime, em seu primeiro julgamento em dezembro de 2005, recorreu da sentença e teve direito a um novo julgamento, como prevê a legislação brasileira aos condenados a mais de 20 anos de prisão, e teve sua sentença mantida.

O irmão da missionária, David Stang, que sempre acompanha o julgamento dos acusados do crime, comemorou a sentença. "Mais uma vez sinto que foi feita justiça por minha irmã", declarou muito emocionado.

Representantes do Comitê Dorothy, entidade criada após a morte da missionária para dar prosseguimento à sua luta social, também comemoraram a decisão. "A manutenção da sentença era o mínino que podia acontecer. Nossas energias agora vão estar concentradas no julgamento do Bida e do Regivaldo Galvão, porque os mandantes são os verdadeiros assassinos", disse a coordenadora do comitê, Luiza Virgínia, fazendo referência a Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida; e Regivaldo Galvão, o Taradão, acusados de ser os mandantes do crime. Bida foi condenado a 30 anos de prisão e Regivaldo ainda não foi julgado.

Julgamento
O acusado foi interrogado por cerca de 3 horas pelo juiz Raimundo Moisés Alves Flexa, da 2ª Vara Criminal, no Fórum do Pará, e negou que tivesse sido contratado para assinadar a religiosa. "Matei porque me senti ameaçado", justificou.

Segundo o acusado, a missionária chegou a fazer ameças diretas, enquanto ele fazia a derrubada de árvores para o plantio de capim na área do PDS Esperança, onde Stang trabalhava seus projetos sociais. "Ela disse que eu ia retirar aquele capim de um jeito ou de outro", contou o réu.

Rayfran disse ainda que a missionária o acusou de praticar crime ambiental na terra, que segundo ela, pertencia aos colonos. "Ela ainda me ameaçou dizendo que nós - os peões - éramos 4 ou 5. E que eles, os colonos eram mais de 150", disse o réu.

Nesta sessão do julgamento Rayfran também reconheceu a arma usada no crime, um revólver calibre 38. Ele em nenhum momento negou que fosse o autor dos disparos que mataram a missionária, mas alegou legítima defesa.

A versão de Rayfran foi confirmada por outro acusado de executar a missionária, Clodoaldo Carlos Batista, o Eduardo - condenado a 17 anos de reclusão por participação ao crime. "Eu só vi o primeiro tiro e depois fugi", contou.

No dia co crime, segundo revelou a testemunha, os dois trabalhadores se dirigiam ao PDS para fazer o serviço, quando encontraram a missionária. Em dado momento, segundo Clodoaldo, Rayfran e a Stang começaram a discutir e em seguida houve o disparo. "Me assustei quando vi ele disparar e sai correndo", disse Clodoaldo.

A testemunha disse ainda que não teve qualquer participação no crime e que não houve nenhum contrato de pagamento pela morte da religiosa. "Foi legítima defesa", confirmou.

Mesmo assim, o júri decidiu pela manutenção da pena de Rayfran.

Redação Terra
 
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