Maioria dos abusos é cometida dentro de casa

03 de novembro de 2007 • 08h44 • atualizado às 08h44

O abuso sexual infantil é um problema silencioso e que na maioria das vezes começa dentro de casa. Estimativas apontam que quatro em cada cinco casos desse tipo de crime contra crianças e adolescentes são cometidos por familiares ou pessoas próximas às crianças, como pais, padrastos, tios e amigos da família.

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De acordo com a coordenadora do Programa Nacional de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes da Secretaria Especial de Direitos Humanos, Socorro Tabosa, essa proximidade faz com que muitos dos crimes acabem sendo abafados dentro de casa.

"Esse problema, inclusive, é maior entre as classes A e B da população, que não querem expor a família a uma situação de escândalo. Outra situação que dificulta a denúncia é o medo de represálias, afirma.

A partir de 2003, o Disque 100, número nacional para denúncias de apuração de abuso e exploração sexual, recebeu cerca de 12 mil denúncias do tipo. Apesar de todas elas terem sido encaminhadas, os resultados das investigações são desconhecidos.

"No ano que vem deveremos inaugurar um sistema informatizado em que será possível acompanhar o desfecho de todos esses casos", afirma.

Medo
A coordenadora explica que por meio do Disque 100, a identidade dos que fazem a denúncia é totalmente preservada e a identificação não é obrigatória, caso o denunciante assim prefira.

"Quando a denúncia feita diretamente à autoridade policial ou à Justiça, as pessoas ficam com muito receio. Temos um caso em Tocantins que uma professora fez a denúncia, que acabou vazando. Ela teve de sair do local por seis meses, período em que ficou em Brasília", conta a coordenadora.

Socorro afirma também que a Secretaria Especial de Direitos Humanos tem procurado fazer um trabalho integrado, inclusive com a área de saúde, para permitir que haja tratamento adequado não só às vítimas mas também aos agressores.

"Se não houver um trabalho conjunto não adianta nada. A pessoa vai presa, passa lá seis anos e volta para dentro de casa com os mesmos problemas", afirma.

Alerta
A coordenadora do programa diz que parte das denúncias vem das próprias crianças. "Temos casos recorrentes, em que a criança liga a primeira vez, ri e desliga. Na segunda, relata um caso, mas diz em seguida que é brincadeira. Até que cria coragem e diz a verdade", afirma.

Redação Terra
 
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