Vagner Magalhães
Direto de São Paulo
São Paulo
"No total, incluindo crimes de ódio e racismo, temos mais de 300 investigações em curso. No Brasil, ainda esbarramos na falta de formação e capacitação para essa realidade específica", diz o procurador Sérgio Suiama, um dos integrantes do grupo.
Segundo ele, é essencial ter um sistema de comunicação integrado para o combate ser mais efetivo. "A comunicação entre as autoridades é deficiente. Às vezes, principalmente em relação à pedofilia na Internet, há investigações em várias localidades, mas não há o cruzamento das informações. Em muitos casos, sobre o mesmo fato, há decisões conflitantes. Cada um pede uma coisa", diz.
Um caso recente em que a comunicação funcionou bem aconteceu há dois meses em São Paulo. Depois de uma investigação de mais de três anos, o Ministério Público Federal e a Polícia Federal conseguiram prender em Osasco um empresário de 32 anos acusado de transmitir por uma webcam o abuso sexual que cometeu contra a própria filha.
Detido, ele foi denunciado por atentado violento ao pudor e pedofilia online (divulgação de pornografia infantil na Internet). Se condenado pelos crimes, o empresário pode pegar de 9 anos e meio a 17 anos e meio de prisão.
O caso chegou ao conhecimento da Polícia Federal por meio de denúncia anônima, que continha a gravação da transmissão.
Suiama cita a dificuldade para a materialização das provas e diz que um dos objetivos do grupo é prevenir a ação das quadrilhas.
"Nesse trabalho, corremos contra o tempo. Assim que uma denúncia é recebida, precisamos recolher as informações o mais rápido possível para que os casos não se multipliquem, e assim barrar a veiculação desse material."
Redação Terra