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 Delegado dá dicas para evitar seqüestros-relâmpago
07 de outubro de 2007 11h38 atualizado às 13h45

As três mulheres que sofreram seqüestro-relâmpago dentro do Condomínio Novo Leblon, na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, na semana passada, foram alertadas pelos próprios assaltantes de que estavam desatentas e que, por isso, tornaram-se vítimas. Uma dona-de-casa, uma médica e uma bancária foram empurradas por bandidos para o banco do carona quando entravam em seus carros.

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Para o delegado-adjunto da Delegacia Anti-Seqüestro (DAS), Roberto Gomes Nunes, as pessoas não precisam deixar de fazer o que estão habituadas, mas devem ter o mínimo de atenção para evitar esse e qualquer outro crime. Segundo ele, mulheres e idosos sozinhos de carro são vítimas em potencial. As mulheres atacadas no condomínio ficaram em poder dos bandidos por uma hora e tiveram que fazer saques em caixas eletrônicos da Barra e de Jacarepaguá.

"As pessoas agora usam dinheiro em cartão e os bandidos as mantêm reféns por algum tempo para obter a senha. A solução não é deixar de fazer as coisas, mas tomar certas precauções, porque muitas vezes o suspeito pode estar bem vestido", afirmou Roberto Gomes.

O delegado sugere cuidados simples, como levar apenas um cartão de banco entre os documentos, ter atenção ao chegar e sair de casa, nunca esperar por alguém dentro do carro e evitar discussões no trânsito, em função de pequenos acidentes, sobretudo quando eles acontecerem em ruas desertas e mal iluminadas.

Volta no quarteirão
"Quando estiver chegando em casa, é bom prestar atenção ao movimento da rua. Dar uma volta no quarteirão antes de entrar, piscar para o porteiro ou ligar para a família é uma saída. À noite, também é bom reduzir a velocidade para evitar parar no sinal vermelho e nada de namorar no carro", disse.

Ele ressalta que as pessoas precisam evitar conferir dinheiro na "boca do caixa" e devem ir acompanhadas ao banco quando forem sacar quantias altas.

De acordo com os índices de criminalidade do Instituto de Segurança Pública (ISP), no primeiro semestre deste ano, foram registrados 21 casos de seqüestros-relâmpago, três a menos que no mesmo período de 2006. Desses casos, 10 aconteceram na capital.

O delegado destaca que a vítima deve tentar manter a calma e fazer o que os bandidos mandarem. "Eles querem dinheiro rápido e, conseguindo fazer os saques, vão liberar as vítimas logo. Elas não devem reagir e devem mostrar que estão cooperando, sem falar demais. Mesmo que perguntem o que têm em casa para não morrer, é bom tomar cuidado para não avivar outros interesses dos bandidos."

Troca de carro e de hábitos
A publicitária Roberta Porto, 24 anos, foi abordada por um homem armado ao chegar de uma festa. Ela já havia estacionado seu Golf na porta de casa, na Tijuca, quando o bandido a empurrou para o banco do carona.

"Eram 2h, a rua estava deserta e não há policiamento no meu bairro. Tive que rodar com o assaltante até amanhecer, para ele conseguir sacar o dinheiro. Em vários momentos achei que fosse morrer. Só queria me livrar logo daquilo", disse.

Ela conta que o bandido estava drogado e ficava nervoso quando o carro morria. Eles pararam para abastecer e o ladrão fingiu ser namorado de Roberta. "Hoje tenho um Palio, ligo para casa e pisco o farol para o porteiro saber que estou chegando."

Depois que passou pelo mesmo susto, o agente de viagens Geraldo Monteiro, 48 anos, prefere sair de táxi. Ele teve síndrome do pânico e fez tratamento para voltar à sua rotina.

"Parei no sinal e eles vieram para o meu carro. Fui do Leblon a Santa Cruz com arma apontada para mim. Paramos em dois bancos e eles me deixaram a pé. Agora, evito sair à noite e, quando um carro me corta, reduzo e saio de perto."

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