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Brasil e Argentina disputam Aquífero Guarani

25 de outubro de 2003 15h57 atualizado às 16h00

A batalha pela preservação das reservas de água doce na América do Sul, especialmente as geleiras e o sistema de água do Aquífero Guarani, se instalou como questão de Estado na agenda dos presidentes do Brasil e Argentina, Luiz Inácio Lula da Silva e Néstor Kirchner.

A preocupação pelo controle desses recursos, que para alguns analistas é a maior controvérsia geopolítica deste século, ficou evidenciada em um dos documentos assinados pelos dois presidentes na recente visita feita por Lula a Buenos Aires.

O assunto também preocupa organizações não-governamentais e instituições oficiais e privadas de diversos países da região e os parlamentares, que constituíram uma "Rede Parlamentar da América Latina pela soberania da água".

Essa frente, que agrupa uma centena de deputados da Argentina e do Brasil, se reunirá em Araraquara, São Paulo, no Fórum Social da Água do Aquífero Guarani, que se realizará entre os dias 12 e 15 de novembro próximo.

Segundo a rede de parlamentares, o Aquífero Guarani é a maior reserva de água pura do planeta e se encontra no subsolo dos territórios do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, com uma extensão de 1,2 milhão de km².

A reserva "poderia abastecer indefinidamente 360 milhões de pessoas e resolver para sempre o problema do acesso a este fluido de todos os países da América do Sul, mas o novo foco na agenda geopolítica dos países mais ricos e, como foi até agora o petróleo, já constitui uma nova ameaça à paz", segundo os legisladores.

A América do Sul também conta com uma enorme reserva de água doce nas geleiras austrais e foi precisamente nesse contexto que Lula e Kirchner firmaram a Declaração sobre a Água e a Pobreza na semana passada na província de Santa Cruz.

No documento, os mandatários se declaram "conscientes de que em um panorama mundial de limitação e escassez, a abundância de recursos de água doce superficiais e subterrâneos em nossa região deve ser preservada com práticas sustentáveis que mantenham sua qualidade e quantidade".

Por isso, "decidem apoiar e impulsionar programas e projetos conjuntos que possibilitem uma gestão eficiente e sustentável dos recursos hídricos, seu aproveitamento racional, a proteção ambiental dos diversos sistemas de bacias fluviais e lacustres e, em particular, as geleiras e o sistema aquífero Guarani de águas subterrâneas".

Um dado revelador é que, nos últimos dez anos, uma das principais enfermidades relacionadas com a falta de água potável, a diarréia, matou mais crianças no mundo do que o total de mortes em conflitos armados desde a II Guerra Mundial.

Trata-se de bem tão precioso que passou a ser objeto de controvérsia política. Alguns opinam que deve ser considerado um bem comerciável e outros que é um bem social relacionado com o direito à vida.

AFP
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