Pit bulls recebem chip de identificação em MG

11 de setembro de 2007 • 15h25 • atualizado às 22h28
Na hora da implantação do chip, uma carteira de identificação é entregue ao dono do cão Foto: Ney Rubens/Especial para Terra
Na hora da implantação do chip, uma carteira de identificação é entregue ao dono do cão
11 de setembro de 2007
Foto: Ney Rubens/Especial para Terra

Ney Rubens
Direto de Belo Horizonte

Minas Gerais


A Prefeitura de Belo Horizonte começou a implantar, nesta terça-feira, em todos os cães da raça pit bull, um microchip que irá identificar o animal nos computadores do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) da capital mineira. A prefeitura disponibilizou, inicialmente, seis mil chips e fará a implantação gratuitamente.

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Mais de 2,2 mil pit bulls já foram cadastrados no CCZ. Um aparelho de leitura, ao entrar em contato com a pele do animal, identifica o chip, que tem o tamanho de um grão de arroz, e busca todas as informações já cadastradas sobre o cão. "Assim identificamos os donos dos pit bulls que foram abandonados ou perdidos", explicou o secretário municipal de Saúde, Helvécio Miranda Magalhães Júnior.

Uma carteira de identificação do animal é entregue ao dono do cão na hora da implantação do chip. "A partir de hoje, todos os pit bulls que caminharem pelas ruas da cidade deverão estar acompanhados dos donos, com focinheira e coleira, além de estarem com o novo chip e a carteira de identificação. Os donos que não cumprirem as regras pagarão uma multa de no mínimo R$ 500", explicou Miranda. "As pessoas devem se preocupar com isso, é o que chamamos de posse responsável".

Os donos que já deixaram que fossem implantados os chips em seus cães aprovaram a medida. "Minha cachorra é mansa e costuma até brincar com as crianças em casa. Mesmo assim estou cumprindo o meu dever", comentou Sandra Damasceno Gomes, 45 anos, dona de Kamaia, a primeira cadela a receber o chip. Já Gilson Gonçalves, 50 anos, disse que a sua cadela, Quintana, "é brava, mas nunca avançou em ninguém". "Achei a medida boa porque vai controlar os cães", afirmou.

"O problema é que o cachorro pode até ser manso, mas por instinto vai se defender e sua força é maior do que de todas as outras raças", disse Kólia Paorice, veterinário do CCZ, ao explicar porque o foco inicial são os pit bulls.

A medida responde à lei estadual conhecida como Lei do Pit bull. Promulgada em 2006, ela estabeleceu normas para a criação de cães de grande porte, como o pit bull, o dobermann e o rottweiler, e proibiu a procriação e a entrada de pit bulls no Estado. "Entre outras coisas, a lei falou em identificação do animal. Em Belo Horizonte, essa identificação agora é feita através do chip, do cadastro e da carteira do cão", disse o secretário de Saúde da cidade. Após a implantação nos pit bulls, os chips também serão instalados nas outras raças citadas na lei.

Ataques
No pronto-socorro do Hospital João XXIII, referência no atendimento a vítimas de ataques de cães, de janeiro a agosto desse ano foram registrados 846 atendimentos de vítimas de agressão por cães. Apenas no último mês, 103 casos foram registrados no HPS.

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, nos últimos quatro anos foram registrados mais de 1,3 mil ataques de cães violentos, somente em Belo Horizonte. O número de pit bulls abandonados na capital mineira também é alto. No mês passado, 50 cães da mesma raça foram abandonados pelos donos e capturados pelo Centro de Controle de Zoonoses.

Redação Terra
 
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