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Bancoop é cooperativa de fachada, diz promotor

09 de setembro de 2007 10h52 atualizado às 12h11

A cooperativa Bancoop, do Sindicato dos Bancários de São Paulo, foi classificada pelo promotor José Carlos Blat como fachada de uma grande empreiteira. Segundo o responsável pelo inquérito criminal que investiga suspeitas de lavagem de dinheiro e desvio de recursos, a Bancoop "se utiliza do status de cooperativa para conseguir isenção fiscal, mas pratica preços de mercado, visa o lucro e comete várias irregularidades".

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A Bancoop foi fundada em 1997 pelo hoje presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), e comandada desde então por nomes filiados ao partido, segundo o Jornal do Brasil. Antes uma das mais importantes construtoras de imóveis residenciais do Estado de São Paulo, transformou-se numa empresa com déficit financeiro estimado em R$ 100 milhões.

Os indícios de crime fizeram com que o Ministério Público desse início a uma investigação e quebrasse o sigilo bancário da companhia. Os primeiros relatórios devem ser apresentados em outubro.

Segundo Blat, o maior indício de desvio de recursos está na situação financeira da cooperativa, que seria incompatível com seu sucesso em arrecadar recursos e atrair cooperados. Em meados de 2004, a Bancoop teria recebido uma injeção de R$ 43 milhões arrecadados com a venda de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FDIC) no mercado financeiro.

Os três maiores fundos de pensão estatais investiram, nos últimos quatro anos, na cooperativa. O fundo de pensão da Petrobras (Petros), aparece como maior investidor, tendo aplicado R$ 10,6 milhões nos papéis da Bancoop. Em seguida apareceria a Funcef (Caixa Econômica, com R$ 11 milhões, e a Previ (Banco do Brasil), com R$ 5 milhões. "Esse dinheiro simplesmente evaporou", afirma uma advogada dos cooperados.

Em agosto, a agência de classificação de risco Standard & Poors rebaixou a classificação dos papéis da Bancoop por conta da incerteza da capacidade do fundo honrar o próximo pagamento das cotas seniores, no valor de R$ 1,72 milhão.

A aparência de companhia sólida esconderia um verdadeiro ralo de dinheiro, de acordo com a reportagem do JB. Com 47 empreendimentos, 15 mil cooperados, a Bancoop começou a parar o andamento de obras por falta de recursos. E passou a exigir de seus associados o pagamento de parcelas adicionais para completar o caixa das empreitadas.

Tal prática, na avaliação do Ministério Público de São Paulo, faz com que os imóveis construídos pela cooperativa acabem tendo preço equivalente aos de incorporadoras comuns, que não contam com os benefícios de isenção fiscal de uma cooperativa. A promessa da cooperativa era entregar seus imóveis a um preço 40% abaixo do praticado pelo mercado.

Lula teria comprado cotas
Segundo o Jornal do Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria adquirido, em maio de 2005, cotas da Bancoop, para comprar um luxuoso apartamento duplex de três quartos em um condomínio no balneário do Guarujá (SP).

Segundo o jornal, a cota está no nome da primeira-dama, Marisa Letícia, mas consta do patrimônio declarado pelo presidente ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no ano passado, como candidato à reeleição. Na época, Lula teria pago um total de R$ 47.695,38 em prestações.

O preço final do imóvel não é revelado pela Bancoop, mas as imobiliárias locais avaliam um apartamento de semelhante perfil em algo em torno de R$ 350 mil a R$ 400 mil.

Jornal do Brasil
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