Entenda as denúncias contra Calheiros


Lobista
Reportagem publicada pela revista Veja em 26 de maio denunciou que o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), teria despesas pessoais pagas pelo lobista Cláudio Gontijo, da empreiteira Mendes Júnior. Os pagamentos teriam sido feitos para a jornalista Mônica Veloso, com quem Calheiros tem uma filha de 3 anos.

Três dias após a divulgação da reportagem, Calheiros fez um discurso no Plenário do Senado se defendendo das acusações. Ele afirmou que sua relação com o lobista era apenas de amizade e entregou cópias de extratos bancários, cheques e declarações de Imposto de Renda que comprovariam que ele teria condições financeiras para pagar a pensão e o aluguel da jornalista.

O caso levou o Psol a entrar com uma representação no Conselho de Ética contra Calheiros, por quebra de decoro parlamentar. Os membros do conselho decidiram, por maioria, enviar o processo ao Plenário. Em sessão secreta realizada no dia 12 de setembro, os senadores decidiram arquivar o caso, com 40 votos pela absolvição do senador, 35 votos a favor da cassação e seis abstenções.

Schincariol
Em 7 de julho, a revista Veja levantou a acusação de que a empresa de bebidas Schincariol teria sido beneficiada por Calheiros, depois de comprar, por um valor acima do mercado, uma fábrica de bebidas do deputado Olavo Calheiros (PMDB-AL), irmão do senador. Após a conclusão do negócio, o presidente do Senado teria conseguido evitar a cobrança de uma dívida de R$ 100 milhões da Schincariol com o INSS e outra, também milionária, com a Receita Federal.

A assessoria da cervejaria Schincariol saiu em defesa de Calheiros e informou, em nota, que a compra da fábrica de refrigerantes do irmão do senador foi realizada "rigorosamente dentro da lei" e respeitou preços e condições de mercado. A nota foi lida pelo presidente do Senado em Plenário.

O assunto foi alvo de nova representação do Psol ao Conselho de Ética, mas o processo foi arquivado por falta de provas.

Compra de rádios
O usineiro João Lyra, adversário político de Calheiros em Alagoas, confirmou em reportagem à Veja, no dia 4 de agosto, que manteve uma sociedade com o senador e que usou "laranjas" para comprar empresas de comunicação a pedido do parlamentar. Segundo a publicação, Lyra e Calheiros tinham uma sociedade montada para comprar uma emissora de rádio e um jornal em Alagoas, que mais tarde deu origem à JR Radiodifusão.

Calheiros teria investido R$ 1,3 milhão no negócio, parte paga em reais, parte em dólares. Nada disso - a origem do dinheiro, a sociedade, a rádio, o jornal - foi declarado à Receita Federal ou à Justiça Eleitoral. Em 2005, a sociedade entre Lyra e Calheiros foi desfeita, mas o parlamentar, diz a revista, continuou com as empresas de comunicação.

Para se defender, o senador rebateu as acusações de Lyra dizendo que as informações prestadas por ele são "um triste retrato da mentira e da hipocrisia". Calheiros dissee que recebeu o ex-deputado João Lyra em seus gabinetes, assim como toda a bancada de Alagoas. O presidente do Senado disse que só esteve com o usineiro nas eleições de 1986, em palanque.

A denúncia deu origem à terceira representação contra Calheiros no Conselho de Ética, impetrada pelo PSDB e pelo Democratas.

Arrecadação de recursos
A revista Época publicou, em 1º de setembro, reportagem em que o advogado Bruno Miranda Ribeiro Brito Lins, afilhado de casamento de Calheiros, diz que seu ex-sogro teria montado um esquema de arrecadação de recursos em ministérios chefiados por indicados do PMDB, entre eles a Previdência Social e a Saúde, e que ele próprio teria buscado sacolas de dinheiro para o parlamentar.

No mesmo dia, Calheiros divulgou nota afirmando que as novas denúncias são "requentadas" e fruto de má-fé. O senador disse que o objetivo da denúncia seria causar escândalo, por se basear em depoimento de uma pessoa que estava em curso de uma "separação litigiosa". Para Calheiros, o intuito seria gerar pressões processuais em pessoas que nada tem a ver com a "briga de casais".

Uma nova representação foi protocolada no Conselho de Ética e aguarda parecer do relator Almeida Lima (SE).

Espionagem
Outra denúncia gerou a quinta representação contra o presidente do Senado. A revista Veja publicou reportagem apontando que Renan Calheiros utilizava-se do trabalho da polícia para espionar os senadores goianos Marconi Perillo (PSDB) e Demóstenes Torres (DEM). A Polícia do Senado negou o ato de espionagem contra adversários políticos e informou que a denúncia será investigada.

Empreiteira "fantasma"
O Psol entrou com a sexta representação contra Calheiros depois da denúncia do jornal O Estado de S. Paulo de que o senador teria usado emendas parlamentares ao Orçamento Geral da União para repassar recursos a uma empreiteira "fantasma". A Mesa Diretora decidiu aguardar resultado dos processos já em andamento no Conselho de Ética para então analisar se dará andamento ou não a representação do Psol.

Venda de gado
Em 21 de agosto de 2007, reportagem do Jornal Nacional informou que um laudo da perícia realizada pela Polícia Federal (PF) nos documentos de defesa de Calheiros (PMDB-AL), apontaria que o parlamentar não teria como comprovar algumas vendas de gado de suas fazendas em Alagoas, que teriam sido realizadas entre 2003 e 2006.

A PF teria apontado que algumas vendas não têm os guias de transportes de animais (GTAs), que comprovariam que o gado saiu da fazenda de Calheiros para um frigorífico, o que poderia significar que os animais foram transportados de maneira ilegal ou que a venda simplesmente não existiu.

Em depoimento ao Conselho de Ética, Calheiros teria dito que vendia o gado para diretamente para as empresas e o local da comercialização era o frigorífico Mafrial, o frigorífico do Estado. Em entrevista no dia 24 de julho, Calheiros deu uma outra versão, dizendo que não vendia gado para as empresas que aparecem nas notas fiscais emitidas por ele, e sim para o Mafrial.

Playboy e livro
Cinco meses após estourar a crise, Mônica Veloso foi capa da revista Playboy. Na principal banca do Congresso, os 100 exemplares encomendados esgotaram no primeiro dia de vendas. A maioria dos senadores, no entanto, evitou comentar as impressões sobre o ensaio sensual da jornalista.

Em novembro, ela lançou o livro O Poder que Seduz, no qual conta detalhes sobre sua vida em Brasília. No capítulo dedicado ao romance com Renan Calheiros, ela afirma ter "amado loucamente" o senador. Na página 131, Mônica diz que Calheiros pediu para que escondesse a gravidez porque ele já tinha aspirações de se tornar presidente do Senado.

Licença
Calheiros pediu afastamento da presidência do Senado após cinco meses de crise. O cargo foi assumido interinamente por Tião Viana (PT-AC). Onze dias depois, Calheiros pediu também licença do seu mandato de senador por 10 dias, com a justificativa de que usaria o afastamento para fazer exames médicos. Em 21 de novembro, renovou sua licença da presidência do Senado até 29 de dezembro, sob a alegação de que não quer interferir no seu próprio processo de cassação.

Redação Terra
 
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