Rio: moradores comem carne que 'veio do céu'

06 de agosto de 2007 • 01h48 • atualizado às 10h56
Moradores prepram alcatra, picanha e contrafilé  Foto: Fábio Gonçalves/O Dia
Moradores prepram alcatra, picanha e contrafilé
06 de agosto de 2007
Foto: Fábio Gonçalves/O Dia

Alessandro Ferreira

Rio de Janeiro


Centenas de moradores de Ricardo de Albuquerque, no Rio de Janeiro, fizeram ontem churrascos comunitários com carne que veio do Campo de Instrução de Gericinó (CIG), área do Exército para treinamento de militares. Na quinta e sexta-feira, caminhões do Exército e helicópteros despejaram recipientes com carne - peças de alcatra, picanha, contrafilé e paleta, ainda lacradas e dentro do prazo de validade - no Gericinó. De acordo com o Exército, a carne não deveria ser consumida "em nenhuma hipótese, independentemente do prazo de validade na embalagem".

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"O caminhão despejou centenas de caixas num buraco. Usaram retroescavadeira para enterrar, mas na manhã seguinte muita gente as desenterrou", contou uma moradora. Das aeronaves, mais caixas com carne foram jogadas.

Nas embalagens, há o selo de inspeção do Ministério da Agricultura e etiqueta de identificação do produto, que possivelmente seria exportado para a Argélia (África) - há reprodução da bandeira argelina e caracteres árabes, além de texto em inglês e francês, na etiqueta.

Constam ainda nas embalagens a data de congelamento (5 de abril de 2006) e a data-limite para consumo (5 de outubro de 2007). Cada recipiente continha cerca de 20 kg de carne. Como alguns estimaram que há mais de 500 caixas, pelo menos 10 t do produto teriam sido jogadas fora.

No domingo, os churrascos comunitários foram realizados nas ruas Boaçu, Camaré, São Bernardo, Maratuba e Taquaruçu. Houve gente que aproveitou para ganhar dinheiro vendendo as peças.

Segundo soldado do Exército que mora na região, a carne saiu do quartel do CIG, informação confirmada pelo assessor de comunicação do Comando Militar do Leste, coronel Carlos Alberto Lima. Segundo o oficial, a carne é produto de apreensão da Receita Federal.

"Os técnicos da Receita solicitaram ao CIG que transportasse e enterrasse o material. Moradores teriam tentado recolher o produto, mas foram rechaçados pela guarda do quartel", explicou o coronel.

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