Oposição: Renan interfere nos trabalhos do Conselho

12 de julho de 2007 • 17h15 • atualizado às 17h26

Maria Clara Cabral
Direto de Brasília

Brasília


A oposição reagiu imediatamente ao anúncio do adiamento da decisão sobre a perícia nos documentos do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Tanto o líder do Democratas, José Agripino Maia (RN), quanto o presidente do PSDB, Tasso Jereissati (CE), subiram na tribuna da Casa para reclamar. Segundo eles, a atitude mostra uma tentativa clara de atrasar os trabalhos do Conselho de Ética. Os senadores reclamam ainda da interferência de Calheiros nos trabalhos do colegiado.

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A decisão sobre o adiamento foi anunciada pelo vice-presidente do Senado, Tião Vianna (PMDB-AC), após conversa com Calheiros.

"Tivemos a oportunidade de pedir ao presidente para ele se afastar com o objetivo de não interferir nos trabalhos. Ele disse que não, mas no momento que cabe a ele deliberar sobre a data da reunião (da mesa diretora), ele posterga por mais seis dias. Com isso, a sensação que ele está interferindo se concretiza", afirmou Jereissati.

"A atitude passa a sensação que eles estão armando alguma manobra jurídica para que alguma instância possa interferir no pedido da perícia", completou Agripino Maia.

Mais cedo, dois relatores do Conselho de Ética, Renato Casagrande (PSB-ES) e Marisa Serrano (PSDB-MS), decidiram encaminhar o pedido de perícia à mesa. O terceiro relator, Almeida Lima (PMDB-SE), aliado de Calheiros, foi contra, alegando que investigações de pessoas do Congresso teriam que passar pelo aval do Supremo Tribunal Federal (STF).

O pedido de perícia à Polícia Federal (PF) tem que ser feito necessariamente após deliberação da mesa diretora da Casa.

Via carta enviada ao vice-presidente Tião Viana (PT-AC), Calheiros explicou que o adiamento acontece para dar tempo de os advogados das duas partes serem notificados.

Já o senador Almeida Lima afirmou que há uma preciptação muito grande dos parlamentares. "Até o presente momento os senhores não têm autoridade de falar de atos protelatórios nenhum", afirmou. "O que eu vejo sim é uma pretensão de atropelar", completou.

Renan Calheiros é suspeito de ter contas pessoais pagas pelo lobista Cláudio Gontijo, da empreiteira Mendes Júnior. O senador nega as acusações e disse que o pagamento de pensão à jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha, foi realizado com rendimentos próprios.

Redação Terra
 
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