SP: pombos usam chão de praça como "restaurante"

08 de julho de 2007 • 16h21 • atualizado às 16h21
Mulher caminha entre pombos na praça de Taubaté
Mulher caminha entre pombos na praça de Taubaté
06 de julho de 2007
Marcelo Pedroso/Redação Terra

Marcelo Pedroso
Direto de Taubaté

São Paulo


Uma praça no centro de Taubaté, interior de São Paulo, foi o local escolhido por um bando de pombos para moradia e alimentação. Eles usam diariamente a praça D. Epaminondas, no centro da cidade, como "restaurante", já que a "hospedagem" é estimulada pela abundância de comida oferecida pela população.

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A marca da presença dos pombos na praça está em todos os lugares, até mesmo no sino da Catedral de São Francisco das Chagas. Parte da pintura da igreja está suja de dejetos. Árvores, postes e marquises também possuem sinais da presença dos animais. Em algumas sacadas de prédios, telas evitam o pouso dos pombos, que circulam livremente pelo chão da praça.

A proliferação desenfreada de pombos causa preocupação na Vigilância Epidemiológica do município, que prepara uma campanha de conscientização para agosto com o objetivo de tentar reduzir a quantidade de aves.

Os vizinhos
O pipoqueiro Richard Jesus Landim, 28 anos, que estaciona o carrinho de pipocas na praça, diz que se sente incomodado com os pombos. "Eles batem no vidro para pegar pipoca. Tenho que deixar tudo fechado. Dá até medo quando alguma criança deixa cair uma pipoca no chão. Eles vão com tudo."

Segundo o comerciante Felipe de Camargo, 35 anos, o problema com os pombos já é recorrente. "É desagradável, um problema sério."

Para a presidente da Associação Comercial e Industrial de Taubaté (Acit), Rogéria Ferreira, ações imediatas por parte da prefeitura são necessárias para evitar que o comércio seja prejudicado. "Isso já está começando a dar problemas para o comércio local."

O aposentado Sebastião Pereira Sobrinho, 65 anos, freqüenta a praça diariamente e também quer a redução do número de animais. "Está aumentando muito. Sem matar, não sei como tirar esses pombos daqui."

O prejuízo à saúde
A bióloga Marisa Cardoso, professora da Universidade de Taubaté (Unitau), alerta para cuidados com os animais, que são protegidos por lei, apesar de serem considerados uma "praga urbana" quando em número excessivo. "Desde 1994, o pombo é considerado um animal da fauna brasileira. É proibido matá-lo, conforme a lei de crimes ambientais de 1999."

"Na natureza, estes animais procriam de duas a três vezes por ano. Na área urbana, a reprocução ocorre o ano inteiro. Os pombos podem transmitir piolhos, ácaros, percevejos e carrapatos, isto sem dizer doenças como a histoplasmose, por exemplo."

Segundo Marisa, a proliferação dos pombos ocorre pela falta de predadores naturais nestes espaços urbanos e pelo aumento da procriação por conta da facilidade de alimento e abrigo.

A ação da prefeitura
Segundo o veterinário da Vigilância Epidemiológica de Taubaté, José Antonio Santos Cardoso, um trabalho de conscientização terá início em agosto.

"Nossa idéia é trabalhar a população para não alimentar os pombos. Eles encontram abrigo e alimento em abundância na praça. É um trabalho de médio a longo prazo. A gente não quer interferir diretamente, mas poderemos pedir licença para reduzir o número destes animais se necessário."

Redação Terra
 
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