Polícia

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Domingo, 8 de julho de 2007, 07h58

Após trégua, milícias invadem novas favelas no Rio

Ataques recentes mostram que as milícias voltaram a promover invasões a redutos do tráfico no Rio depois de mais de dois meses de trégua. Nos últimos 15 dias, os grupos paramilitares tomaram as favelas do Batan, em Realengo, e do Guarda, em Del Castilho, ambas dominadas pela facção criminosa Amigos dos Amigos (ADA), que não vinha sendo alvo das milícias.

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A invasão ao Batan ocorreu entre os dias 28 e 29. Segundo relatos de moradores, na manhã do dia 30, apareceram na favela três homens encapuzados e armados com fuzis que disseram a todos na rua que "havia acabado a palhaçada" - uma referência às bocas-de-fumo - e "quem manda lá é a milícia". Pelo menos quatro pessoas - três delas identificadas como Negão, Tato e Paraíba - teriam desaparecido logo após o ataque.

O comandante do 14º BPM (Bangu), tenente-coronel Paulo César Lopes, disse ter recebido um informe da presença de uma milícia no Batan, mas ainda não conseguiu identificar os suspeitos.

Antes do Batan, milicianos atacaram a Favela do Guarda, na noite de sábado, dia 23. Moradores relatam que ocorreu intenso tiroteio, mas não souberam informar se houve mortos ou feridos. A comunidade fica às margens da Linha Amarela. Policiais do Serviço Reservado do 3º BPM (Méier) confirmaram o ataque da milícia. Eles investigam se os policiais que controlam a vizinha Favela Fernão Cardim estariam por trás da invasão.

Na comunidade "Favela do Guarda", no site de relacionamentos Orkut, há comentários sobre a presença da milícia no local. "Agora é tudo nosso, tudo milícia. Quem é, quem não é, mete o pé. O bagulho tá sinistro" e "Cadê os bandeides da favela? Fugiram? Cadê os matadores de cria? Agora é os justiceiros, quem tentar vai virar peneira", dizem algumas das mensagens.

Grupo teria tomado a Carobinha
Os traficantes expulsos do Batan teriam sido os mesmos que atacaram a Favela da Carobinha, em Campo Grande, dia 29. Durante a ação, houve intensa troca de tiros, duas pessoas morreram e outras duas se feriram.

A Carobinha, que era controlada pela ADA, permanece ocupada por uma milícia desde o ano passado e os traficantes que dominavam a favela se refugiaram no Batan na época, quando ganharam o reforço de bandidos da Vila dos Pinheiros, no Complexo da Maré. O contra-ataque do tráfico fracassou e os bandidos não conseguiram retomar a favela. Morreram no embate o comerciante Maurílio Correia Filho, 47 anos, e traficante conhecido como Luciano.

Além de defender a Carobinha, a milícia mira outra favela da ADA, o Morro do 18, em Piedade. Moradores revelaram que nas últimas duas semanas quatro pessoas da comunidade foram assassinadas. Os autores seriam integrantes de grupos paramilitares. As polícias Civil e Militar não confirmam a denúncia.

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