A servente teve os dois braços quebrados
Foto: Massaru Quinoshita/Jornal Regional//Futura Press
A monitora de uma escola estadual de Dracena, interior de São Paulo, teve os dois braços quebrados e ferimentos em um dos olhos ao supostamente ser agredida e pisoteada pelos estudantes. O caso aconteceu na terça-feira à tarde na escola estadual Nove de Julho, uma das mais tradicionais da cidade, mas só foi divulgado nesta quarta-feira, quando Nair Silva Alves, 67 anos, decidiu denunciar as supostas agressões à polícia.
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Nair abria o portão de entrada para estudantes da 5ª a 8ª séries, quando teria sido empurrada, caído e sido pisoteada pelos estudantes. "Não vi quem foi, só sei que me empurraram, caí de bruços e passaram por cima de mim. Entrei em pânico e comecei a gritar por socorro", contou Nair depois de registrar queixa na polícia, convencida por familiares.
Ainda temendo retaliações de estudantes que possam ser identificados, Nair fez questão de inserir na queixa que as agressões podem ter ocorrido de forma "involuntária".
No dia 27 de julho, Nair completa 30 anos de atividades no ensino público de São Paulo. "Em todo este tempo eu nunca passei por situação semelhante. Este é o momento de maior decepção da minha vida", disse ela. "Os alunos não respeitam professores, funcionários, diretores e nem a família", comenta.
Nair disse que sua vontade era deixar a profissão. "Passei grande parte da minha vida cuidando desses estudantes e não sabia que se este seria o meu presente. Minha vontade é largar tudo agora, mas tenho de completar o tempo para a aposentadoria que, felizmente, falta pouco", conta.
Uma das maiores dificuldades de Nair, que passou hoje por exames de corpo de delito antes de imobilizar os dois braços, será fazer as refeições. Para isso, terá de receber ajuda da filha, Gessilene Alves de Abreu, que disse ter ficado assustada ao ver a mãe no hospital e a convenceu em registrar o caso na polícia.
O delegado Antonio Simonato, que responde pela Delegacia da Mulher, disse que abriu inquérito policial de lesões corporais e enviou investigadores hoje à tarde para a escola na tentativa de identificar os autores das agressões. Simonato não afasta a possibilidade de que Nair tenha sido "atropelada" pelos estudantes ávidos para entrar nas salas de aula. "Mas, mesmo que isso que tenha ocorrido, houve agressões e seus autores precisam ser responsabilizados", afirmou.
A direção da escola não quis comentar o caso, mas em nota a Secretaria de Estado da Educação informou que a servente recebeu um "esbarrão" dos alunos, caiu e sofreu ferimentos.
- Redação Terra
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