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O jornal observa que as imagens das ruas da cidade já vêm sendo comparadas, na mídia brasileira, às imagens de Bagdá. "Um jornal do Rio concluiu que essas eram 'as cenas de uma guerra civil'", relata o jornal.
A reportagem comenta que "a apenas alguns km da costa glamourosa da capital das praias da América do Sul, centenas de policiais fortemente armados tomaram o Complexo do Alemão - uma rede de 12 favelas que abriga mais de 200 mil brasileiros empobrecidos e que também é considerada o quartel-geral do Comando Vermelho".
O Guardian relata que "o Complexo do Alemão, uma das mais notórias favelas do Rio, tem sido palco de confrontos quase diários desde o início de uma operação contra o grupo, há 58 dias".
"Os moradores locais temem as balas perdidas, e aqueles que têm condições estão deixando o local. As casas e apartamentos em volta das favelas estão cheias de avisos de 'À venda' e têm sido vendidos a preços fortemente reduzidos", diz a reportagem.
"Combate sem trégua"
A violência no Rio de Janeiro também é destacada em reportagem do diário argentino La Nación, relatando que "em um combate sem trégua e apenas um dia depois de perder 19 'soldados', os traficantes do Complexo do Alemão, na zona norte do Rio de Janeiro, voltaram a repelir ontem a tiros as forças de segurança brasileiras".
"Apesar da ocupação policial, que já dura dois meses, o controle em cima dos morros permanecia ontem nas mãos dos grupos de narcotraficantes que controlam a venda de cocaína e maconha no Rio de Janeiro", diz o jornal.
A reportagem observa que, apesar de não terem ocorrido novas mortes na quinta-feira, "os traficantes conseguiram impedir o acesso de um veículo blindado a algumas regiões das favelas".
O jornal relata ainda que a operação da quarta-feira, que empregou 1.350 homens da Força Nacional de Segurança e das polícias civil e militar, ¿foi a maior da história para reprimir o narcotráfico em uma região do Rio de Janeiro".
"Longe de ser exceção"
O jornal suíço Neue Zürcher Zeitung, por sua vez, diz em sua reportagem sobre a violência no Rio de Janeiro que a situação na cidade "está longe de ser uma exceção no Brasil".
Segundo a reportagem, o problema tem aparecido com freqüência no noticiário nacional e internacional por causa "da condição da cidade como um conhecido destino turístico". O jornal comenta que "em todo o Brasil, milhares de pessoas são assassinadas todos os anos" e que, em sua maioria, as vítimas são "jovens, negras e morrem em disputas entre gangues de traficantes".
A reportagem afirma ainda que "nesses locais, o Estado têm pouca presença" e que "em muitas áreas pobres o tráfico de drogas se estabeleceu há muito tempo como um Estado dentro do Estado".
Redação Terra