Famílias: polícia teria matado inocentes no Rio

29 de junho de 2007 • 06h07 • atualizado às 07h23

A polícia está sendo acusada pelos familiares das vítimas dos 19 mortos em ação no complexo do Alemão, na zona norte do Rio de Janeiro, de ter matado inocentes e deixado alguns feridos. Na lista oficial dos mortos por policiais encontram-se três adolescentes de 13, 14 e 16 anos.

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De acordo com informações do jornal Folha de S.Paulo, a polícia já identificou oito dos 19 mortos. Um familiar teria reconhecido um nono morto, mas ainda são necessários alguns exames para a confirmação da identidade. Nesta quinta-feira, a operação no Alemão completou 57 dias, somando 44 mortos, segundo o governo.

Parentes se queixavam na portaria do IML. Maria de Fátima de Paula disse que o filho Bruno de Paula Gonçalves, o Maluquinho, 20 anos, foi assassinado por um policial que o teria retirado de uma casa, onde estaria escondido após receber o primeiro tiro.

Ela disse não saber se o filho era traficante. Apresentou uma carteira de estudante dele e disse que o filho era catador de sucata, mas não pode garantir o que ele fazia. "Quando um filho sai, a gente não sabe onde vai."

João Tancredo, presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), baseando-se em relatos de moradores, disse que a polícia havia cometido "um massacre de civis" durante a operação.

O médico indicado pela OAB para presenciar a perícia foi vetado pela Secretaria de Segurança. O procedimento indignou Tancredo, que afirmou temer que laudos sejam forjados de modo a simular que as mortes ocorreram em tiroteios. Segundo ele, só oito dos 19 eram realmente traficantes.

Redação Terra
 
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