Anistia: megaoperação foi violenta e caótica

28 de junho de 2007 • 16h56 • atualizado às 17h15
Força Nacional de Segurança volta a ocupar os acessos ao Complexo do Alemão Foto: Ernani Alves/Terra
Força Nacional de Segurança volta a ocupar os acessos ao Complexo do Alemão
28 de junho de 2007
Foto: Ernani Alves/Terra

A organização de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional classificou a megaoperação policial no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, como "violenta e caótica". Pelo menos 19 pessoas foram mortas na operação, que envolveu mais de mil policiais. Segundo a polícia, todos os mortos eram suspeitos de serem traficantes de drogas.

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"Essa foi uma operação violenta e caótica mas, acima de tudo, de reação e não pró-ativa", comentou Patrick Wilcken, ativista da Anistia Internacional, em Londres.

"Embora o novo governo do Rio tenha chegado com um discurso muito positivo e com alternativas para o problema de segurança, infelizmente estão se repetindo as operações violentas de administrações anteriores."

Longo prazo
O ativista contou que representantes da Anistia Internacional visitaram o Complexo do Alemão recentemente e ouviram muitas histórias de abusos de direitos humanos ocorridos durante operações policiais.

Na avaliação de Wilcken, o governo erra ao não ter um plano de longo prazo para comunidades como o Complexo do Alemão. "A Anistia entende que há problemas complexos nessas comunidades, mas acredita que há a necessidade de policiamento profissional, baseado em informações de inteligência e não apenas entrar atirando, prejudicando toda a comunidade, inclusive a infra-estrutura como escolas", disse.

Para combater o crime organizado, o ativista sugere que sejam cortadas as rotas de comércio antes que elas cheguem às favelas e monitorar o movimento ao invés de invadir essas comunidades "disparando tiros para todos os lados".

"Conversamos com especialistas da polícia britânica e falamos sobre métodos de como entrar nessas comunidades. São necessárias ações de longo prazo com base em informações de inteligência e presença constante da polícia, mas não fortemente armada em meio à área residencial."

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