OAB investiga morte de inocentes no Alemão

28 de junho de 2007 • 15h31 • atualizado às 16h10

A Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil da Seção Rio de Janeiro (OAB/RJ) informou nesta quinta-feira ter recebido denúncias de que pessoas sem envolvimento com o tráfico teriam sido mortas durante os confrontos no Complexo do Alemão, zona norte da cidade, ontem.

Segundo a Secretaria de Segurança do Estado do Rio, 13 pessoas foram mortas, mas todas ligadas ao tráfico de drogas nas favelas do complexo. Outras seis pessoas morreram e foram deixadas dentro de um carro no final da noite de ontem, na frente de uma delegacia na Penha, mas a polícia ainda está investigando se têm envolvimento com o tráfico.

De acordo com o presidente da Comissão, João Tancredo, três dos mortos teriam menos de 18 anos, e um deles, supostamente deficiente físico, foi esfaqueado. "A polícia alega que o menino estava carregando uma arma, mas isso não seria possível porque ele possui uma deficiência no braço."

A comissão da OAB também está acompanhando os trabalhos dos legistas no Instituto Médico Legal (IML) e investigando outras denúncias anônimas de que moradores teriam tido pertences saqueados pelos policiais.

O deputado estadual Marcelo Freixo (P-SOL), membro da comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa do Rio, também disse ter recebido denúncias de assassinatos a facadas de moradores do Alemão. Freixo contou ainda que esteve na favela da Grota, onde ocorreu grande parte dos confrontos de ontem. "O que nós vimos é que não há ocupação do morro. Não havia policiais dentro da Grota favela que faz parte do Complexo. Então todo aquele movimento de entrada, de combate ao tráfico, que faz parte do discurso do governo, acaba sendo desmontado", disse o deputado.

Reportagem da Agência Brasil mostrou depoimento sobre a morte de Bruno de Paula, 20 anos, que teria sido atingido dentro de casa, enquanto assistia à televisão. Segundo a vizinha Elisângela Vieira, Bruno não teria envolvimento com o tráfico. Ela ajudou a carregar o corpo até a entrada da favela, junto com parentes e vizinhos, como uma forma de protesto contra a atuação da polícia.

Agência Brasil
 
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