Em mais de meio século de poder, o senador Antônio Carlos Magalhães, que morreu aos 79 anos nesta sexta-feira, acumulou desavenças com diversos políticos do País. Porém, na maior parte dos casos, esses conflitos foram passageiros. Dependendo do momento político, inimigos transformaram-se em aliados. Em outros, companheiros acabaram fazendo oposição ao "cacique baiano". A lista de adversários, alguns históricos outros eventuais, inclui desde presidentes da República até aliados que mudaram de lado. Confira alguns dos casos mais conhecidos.
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Lula
Em 2002, integrando a oposição a FHC, ACM apóia Lula para Presidência. Quatro anos depois, no início da campanha para a eleição de 2006, Lula chamou ACM de hamster. "Durante o governo FHC era chamado de leão do norte, mas pra mim ele não passa de um hamster.", disse Lula que ainda chamou ACM Neto de "naniquinho". ACM contra-atacou dizendo que Lula é um "rato gordo e etílico" e voltou a acusar o presidente de ladrão. Em março deste ano, Lula visitou ACM no hospital durante uma das internações do senador. Um mês depois, ao retribuir a visita, Lula ajudou ACM a se levantar da poltrona no final do encontro ocorrido no Palácio do Planalto.
Fernando Henrique Cardoso
De aliado a inimigo. Um dos maiores cabos eleitorais de FHC, ACM, ao renunciar o mandato de senador em 2001, acusou o então presidente Fernando Henrique Cardoso de ser conivente com a corrupção no seu governo. ACM disse que FHC deveria "ser mais humilde" e acrescentou: "não se considere onipotente, infalível e assuma erros que são seus".
Jader Barbalho
A briga começou com a resistência de ACM à candidatura de Jarder Barbalho (PMDB) à presidência do Senado, ainda em 2000. ACM acusou Barbalho de desvios de verba na Sudam e o governo FHC se esforçou para apaziguar os ânimos e enterrar as denúncias. Depois de quase um ano de brigas, Barbalho acabou saindo candidato à presidência do Senado, juntamente com o então deputado Aécio Neves (PSDB) que concorreria à Câmara deixando o PFL e ACM longe da presidência das duas Casas legislativas. ACM foi ao Ministério Público reforçar suas denúncias contra Barbalho e acabou falando demais, dando início ao escândalo de violação do painel eletrônico. Ambos renunciaram ao mandato de senador para evitar a cassação.
Geddel Vieira Lima
O atual ministro da Integração Nacional, ainda no início de sua carreira política, trabalhou como diretor do antigo Banco do Estado da Bahia (Baneb). Foi quando exercia esse cargo que Geddel rompeu com o então governador Antônio Carlos Magalhães em meio a denúncias de irregularidades na administração da estatal. Desde então, eles são inimigos declarados e trocaram acusações públicas por diversas vezes.
Waldir Pires
O atual ministro da Defesa é o responsável por uma das primeiras derrotas políticas de aliados de ACM na Bahia. Em 1986, Pires venceu as eleições para o governo da Bahia, derrotando o aliado político de ACM, Josaphat Marinho. Pires renunciou ao cargo de governador em 1989 para concorrer como vice-presidente na chapa de Ulisses Guimarães e ACM se candidatou a governador e venceu.
Eliseu Padilha
A briga entre ACM e o ex- ministro dos Transportes Eliseu Padilha começou em 1999, quando ACM denunciou um esquema de cobrança de propinas no Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER) - órgão subordinado ao ministério comandado por Padilha. ACM criou o apelido "Eliseu Quadrilha" e foi processado pelo político gaúcho.
Antonio Imbassahy
Imbassahy é mais um exemplo de aliado que se transformou em inimigo. Eleito duas vezes prefeito de Salvador com apoio de ACM, Imbassahy teria rompido com o carlismo ao ser "orientado" a usar a Polícia Militar para reprimir uma manifestação de estudantes em Salvador. Em 2005, Imbassahy foi para o PSDB.
Jorge Bornhaunsen
Sustentando posições divergentes há anos, o ponto alto da briga entre os dois caciques políticos ocorreu em 2004. O bate-boca começou com a publicação de um artigo no site do PFL na Internet, que ACM considerou desfavorável a ele e ao deputado Antonio Carlos Magalhães Neto. Ao cobrar explicações do então presidente do PFL, Jorge Bornhaunsen, ACM teria chamado o político catarinense de ladrão e ameaçado lhe dar uma bofetada. Bornhaunsen começou, então, a articular a expulsão de ACM do partido. Mesmo negociando com outras legendas, ACM preferiu recuar, pedir desculpas e assim evitar sua expulsão.
João Carlos Teixeira Gomes
O jornalista e escritor baiano enfrentou ACM durante a ditadura militar. Entre 1969 e 1975, ACM tentou enquadrar Gomes por crimes contra a Lei de Imprensa Nacional. Ao mesmo tempo, lutou para fechar o jornal dirigido por Gomes, o Jornal da Bahia. O enfrentamento está descrito no livro "Memórias das trevas: uma devassa na vida de Antonio Carlos Magalhães", de autoria de Gomes.
Itamar Franco
Itamar Franco, então presidente da República, e ACM, então governador da Bahia, trocaram farpas constantes. Em um episódio, ACM convidou Itamar para uma reunião em que ele entregaria um dossiê contra o governo federal. No dia da reunião, que seria só entre os dois, Itamar chamou a imprensa de surpresa. No fim, o tal dossiê era uma seleção de reportagens com críticas ao governo, que não comprovavam irregularidades.
Michel Temer
Durante as discussões da reforma do Judiciário, em 1999, ACM brigou com Michel Temer (então presidente da Câmara dos Deputados). ACM acusou Temer de ter interesses na reforma por ser advogado. Os dois políticos acabaram batendo boca publicamente.
Apesar de terem o mesmo sobrenome, ACM e o deputado federal Jutahy Magalhães Júnior (PSDB) eram inimigos na política. As divergências no campo político beiravam o pessoal, e transformaram-se numa herança passada de pai para filho. Jutahy Magalhães Júnior é filho do ex-senador Jutahy Magalhães, um dos últimos focos de resistência ao poder político do senador Antônio Carlos Magalhães, embora ambos tenham ingressado juntos na política, na década de 50, pelas mãos do general Juracy Magalhães, pai de Jutahy, e um dos líderes da Revolução de 30. Em 1986, porém, Jutahy rompeu definitivamente com o carlismo, chegando a convencer alguns seguidores de ACM a apoiarem a candidatura de oposição de Waldir Pires (PT-BA).
- Redação Terra
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