Trabalhadores montam barraca em uma das áreas ocupadas no interior de São Paulo |
Chico Siqueira
Direto de Araçatuba
São Paulo
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Duas fazendas foram invadidas na manhã desta quinta-feira, em Araçatuba e Santo Antônio do Aracanguá, na Alta Noroeste. Em Aracanguá, 250 famílias do MST e do Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura Familiar (Sintraf) ocuparam a fazenda Aracanguá, de 4,6 mil hectares. Em Araçatuba, a fazenda Araçá, foi invadida por 90 famílias do MST, acampadas na região. Outras invasões estão programadas para ocorrer nos próximos dias na região do Pontal.
Segundo o líder do MST José Rainha Júnior, o objetivo é protestar contra o novo projeto de lei do governador José Serra que pretende legalizar terras devolutas no Pontal e contra a demora da Justiça Federal em concluir processos de desapropriação de 19 áreas na Alta Noroeste.
"O Serra está atrasando o processo de reforma agrária com um projeto que visa somente a privatizar as áreas e legalizar o latifúndio" afirmou Rainha.
No seu entendimento, o novo projeto, que visa a legalizar as áreas com mais de 500 hectares no Pontal, vai acender ainda mais os conflitos de terra na região. O governo vai pegar áreas públicas e ao invés de entregar aos trabalhadores vai deixá-las nas mãos dos posseiros", afirmou.
Para o líder dos sem-terra, Serra deveria voltar a cumprir a lei do ex-governador Franco Montoro, que proibia a legalização em áreas com mais de 100 hectares. "O Alckmin criou uma lei ampliando para até 500 hectares e o Serra, ao invés de reduzir, aumentou", afirmou.
Segundo Rainha, uma solução mais urgente seria o governo do Estado investir os R$ 11 milhões que recebeu do governo federal na desapropriação das fazendas Porto Maria, de 600 hectares, em Rosana, e Nossa Senhora das Graças, de 2,2 mil hectares, em Caiuá, ambas no Pontal. "Essa verba está disponível desde março e o governo estadual não fez aplicação dela", disse.
A intenção do grupo é ocupar pelo menos 24 áreas ainda neste mês. "Sabemos que o movimento começa quinta, mas não sabemos quando termina", afirmou Rainha Júnior.
Redação Terra