SP: MST inicia 'Inverno Quente' com 2 ocupações

21 de junho de 2007 • 09h01 • atualizado às 16h58
Trabalhadores montam barraca em uma das áreas ocupadas no interior de São Paulo
Trabalhadores montam barraca em uma das áreas ocupadas no interior de São Paulo
21 de junho de 2007
Chico Siqueira/Especial para Terra

Chico Siqueira
Direto de Araçatuba

São Paulo


O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) iniciou hoje, com a ocupação de duas fazendas, uma nova onda de invasões no Estado de São Paulo. A jornada, chamada de 'Inverno Quente', conta com a participação da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e pretende concentrar as ocupações no Pontal do Paranapanema e na Alta Noroeste, as duas regiões de maior conflito agrário do Estado.

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Duas fazendas foram invadidas na manhã desta quinta-feira, em Araçatuba e Santo Antônio do Aracanguá, na Alta Noroeste. Em Aracanguá, 250 famílias do MST e do Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura Familiar (Sintraf) ocuparam a fazenda Aracanguá, de 4,6 mil hectares. Em Araçatuba, a fazenda Araçá, foi invadida por 90 famílias do MST, acampadas na região. Outras invasões estão programadas para ocorrer nos próximos dias na região do Pontal.

Segundo o líder do MST José Rainha Júnior, o objetivo é protestar contra o novo projeto de lei do governador José Serra que pretende legalizar terras devolutas no Pontal e contra a demora da Justiça Federal em concluir processos de desapropriação de 19 áreas na Alta Noroeste.

"O Serra está atrasando o processo de reforma agrária com um projeto que visa somente a privatizar as áreas e legalizar o latifúndio" afirmou Rainha.

No seu entendimento, o novo projeto, que visa a legalizar as áreas com mais de 500 hectares no Pontal, vai acender ainda mais os conflitos de terra na região. O governo vai pegar áreas públicas e ao invés de entregar aos trabalhadores vai deixá-las nas mãos dos posseiros", afirmou.

Para o líder dos sem-terra, Serra deveria voltar a cumprir a lei do ex-governador Franco Montoro, que proibia a legalização em áreas com mais de 100 hectares. "O Alckmin criou uma lei ampliando para até 500 hectares e o Serra, ao invés de reduzir, aumentou", afirmou.

Segundo Rainha, uma solução mais urgente seria o governo do Estado investir os R$ 11 milhões que recebeu do governo federal na desapropriação das fazendas Porto Maria, de 600 hectares, em Rosana, e Nossa Senhora das Graças, de 2,2 mil hectares, em Caiuá, ambas no Pontal. "Essa verba está disponível desde março e o governo estadual não fez aplicação dela", disse.

A intenção do grupo é ocupar pelo menos 24 áreas ainda neste mês. "Sabemos que o movimento começa quinta, mas não sabemos quando termina", afirmou Rainha Júnior.

Redação Terra
 
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