Unesp: 92 alunos devem pagar cestas básicas

20 de junho de 2007 • 07h46 • atualizado em 21 de junho de 2007 às 02h25
Colegas dos estudantes detidos são barrados
Colegas dos estudantes detidos são barrados
20 de junho de 2007
Cláudio Dias/Especial para Terra

Cláudio Dias
Direto de Araraquara

São Paulo


A Policia Civil promete concluir ainda hoje e encaminhar ao Fórum o inquérito sobre a reintegração de posse da diretoria Faculdade de Ciências e Letras (FCL), da Unesp de Araraquara, interior de São Paulo, ocorrida nesta madrugada. Após uma recontagem, as Polícias Militar e Civil informaram que 92 estudantes foram detidos e levados à delegacia. A informação inicial era de que 120 tinham sido detidos. Todos responderão judicialmente por crime de "esbulho processual" - crime de menor potencial ofensivo, que corresponde à invasão de propriedade particular. Se condenados, os estudantes devem ser obrigados a reverter a pena com o pagamento de cesta básica.

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O delegado Antônio Luis, do 4º Distrito Policial, responsável pelo inquérito com mais de 200 páginas, conta que todos os estudantes fizeram a mesma declaração. Segundo os documentos, eles afirmaram estar acompanhando uma plenária quando foram forçados a sair da universidade. O diretor da Unesp de Araraquara, Cláudio Gomide, não prestou depoimento. Ele disse que encaminhará um documento reiterando que não houve reação dos universitários.

O advogado dos alunos considerou a ação policial legal. A invasão cumpriu pedido de reintegração de posse dada pelo juiz da Vara da Fazenda Pública, Carlos Alberto Violante.

Todos os 92 estudantes detidos na operação foram ouvidos e liberados. No blog dos estudantes, eles consideraram a ação como um despejo e avisam que cartazes serão colocados no campus denunciando a ação da polícia. A operação policial na madrugada contou com mais de 150 policiais para retirar os estudantes acampados há uma semana.

O manifesto estudantil tem como principal argumento a exigência de revogação de cinco decretos emitidos pelo governo do Estado, que, segundo eles, ferem a autonomia universitária. Estudantes de Araraquara também exigem expansão das moradias estudantis e o fim de uma sindicância aberta em março para apurar a responsabilidade de um protesto realizado no campus em março, no qual caixas eletrônicos foram danificados.

Redação Terra
 
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