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Furacão: bicheiros dividiriam lucro de caça-níqueis

16 de junho de 2007 22h35 atualizado em 17 de junho de 2007 às 01h52

Investigações da Polícia Federal revelam indícios da migração dos chefes do jogo do bicho no Rio de Janeiro para a exploração de bingos e máquinas caça-níqueis. Folhas impressas e manuscritas, de um "inventário" apreendido no escritório de Júlio Cesar Guimarães e Luciano Andrade do Nascimento, o Bola, mostrariam percentuais distribuídos aos sócios do "Clube Barão de Drumond" - formado pelos principais bicheiros do Estado.

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O documento, encontrado durante as investigações da Operação Furacão, relacionaria a arrecadação de 245 máquinas de jogos de azar, que alcançaria R$ 1,5 milhão.

Os percentuais de participação nos lucros estariam divididos, no inventário, por siglas que, segundo a PF, indicariam a participação de Marcelo Kallil, filho de Antônio Petrus Kallil, o Turcão; Anísio Abrahão David, o Anísio; Ailton Guimarães Jorge, o Capitão Guimarães; José Renato Granado, Nagib Teixeira Suaid; Júlio Cesar Guimarães, sobrinho de Capitão, e do empresário argentino Arturo Roberto Lemseyan.

A maior parte do bolo ficaria com Marcelo Kallil, cujos percentuais citados variam entre 12,5% e 40%. Ele está foragido da Justiça. Nagib, acusado de ser tesoureiro de Anísio, e Júlio - sócio oculto do Barra Bingo e acusado de intermediar pagamento de propina a policiais - receberiam os menores valores, entre 5% e 7,5%. Capitão e Anísio ficariam com lucros entre 8,9% e 10%.

A diversificação do ramo de atividade também ficaria evidente no "testamento" de Turcão, em que ele repassa para seu filho, Marcelo Kallill, o direito de exploração dos jogos "de papel e de máquina". Seu irmão, Antônio Petrus Kallil Filho, é citado no relatório como herdeiro dos pontos de jogo do bicho, em Niterói, São Gonçalo e parte da Zona Norte.

Turcão, 82 anos, contou, em depoimento, que abandonou a contravenção quatro meses antes de ser preso. Antigos contratos de "cessão de direitos", encontrado na casa de Nagib Suaid, ligado a Anísio, trariam informações sobre a venda de pontos de jogos de bicho no Rio.

Nos depoimentos à 6ª Vara Federal Criminal, os bicheiros negaram envolvimento com os jogos ilegais. Guimarães disse que seus rendimentos vêm de consultoria financeira. Anísio diz que vive da renda de imóveis e Turcão, que é dono de hotel e de academia.

Bens e renda incompatíveis
A declaração de imposto encontrada no escritório de Licínio Soares Bastos indica incompatibilidade entre o patrimônio declarado à Receita Federal e a renda arrecadada - muito inferior. Sócio de 14 empresas, ele é um dos principais alvos da investigação sobre lavagem de dinheiro aberta pelo Ministério Público Federal e que vai atingir também empresas e parentes dos 24 denunciados na Operação Furacão.

Em seu depoimento à 6ª Vara Federal Criminal, o empresário afirmou ter atuado no ramo dos bingos somente até 2002. O relatório da PF mostra, porém, que em novembro de 2006 Licínio teria dado orientações ao advogado Sérgio Luzio Marques sobre como atuar num processo contra os bingos que estava na 6ª Vara Federal - a cível. Na casa do empresário foram encontrados ainda extratos de andamento de processo que tramitava no Tribunal Regional Federal do Rio.

Licínio foi descrito como o principal mafioso dos bingos no depoimento de um dos magistrados presos na Furacão, que deu detalhes do funcionamento do esquema à PF. O juiz também apontou Guimarães como chefe da exploração de caça-níqueis nos bingos.

O Dia
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