Conselho de Ética adia votação do caso de Calheiros

15 de junho de 2007 • 09h27 • atualizado às 15h24

A reunião do Conselho de Ética para votar o relatório do senador Epitácio Cafeteira (PTB-MA), que pede o arquivamento da representação por quebra de decoro parlamentar contra o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), foi adiada para a semana que vem. O intuito do adiamento é a realização de uma perícia técnica na documentação entregue por Calheiros em sua defesa.

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Antes da decisão, Cafeteira ameaçou deixar o cargo de relator caso o relatório não fosse votado hoje. Diante de um novo pedido de Calheiros, no entanto, ele aceitou o adiamento. "Em nome de minha mulher e do presidente aceito o adiamento", disse Cafeteira. A mulher do senador pediu para que ele não se excedesse e atendesse aos apelos de seus colegas. A provável data para a reunião é a próxima terça-feira, dia 19.

Durante a reunião, Calheiros ligou para o líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), pedindo mais tempo para a análise de seus documentos de defesa.

Na quinta-feira, o Jornal Nacional contestou alguns documentos entregues anteriormente por Calheiros para comprovar que tinha meios de pagar a pensão a jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha. Na manhã desta sexta-feira, antes da reunião do Conselho, Calheiros entregou mais documentos, desta vez para rebater as informações do telejornal.

Líderes do governo, que tendiam a arquivar o processo já nesta sexta-feira, tiveram que mudar de idéia. O líder do PSB, Renato Casagrande (ES), por exemplo, que votaria pelo arquivamento sumário hoje, ressaltou a importância de uma perícia. "Acho importante nessa busca da verdade a decisão do presidente em buscar efetivamente uma perícia e propor uma perícia. Esse tempo é fundamental para que possamos concluir nossos votos", disse.

O líder do Psol, José Nery (PA), partido autor da representação contra Calheiros, também concordou com a idéia. "Queremos chegar à verdade e qualquer elemento para chegarmos a ela é fundamental", disse.

Um dos poucos a defender o arquivamento imediato foi Wellington Salgado (PMDB-MG). "Não tenho coragem de adiar o sangramento do presidente dessa Casa. Eu acompanho o voto do relator Cafeteira. Eu não vou fazer política no Conselho de Ética", disse.

Antes da reunião, Calheiros conversou com líderes da base, com o relator e com líderes da oposição e entregou novos documentos, que pretendem refutar a reportagem do Jornal Nacional.

Redação Terra
 
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