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De acordo com o cadastro da Secretaria de Fazenda de Alagoas, os donos de três das seis empresas que compraram bois do senador Renan Calheiros moram em uma mesma rua, no bairro de Rio Novo, na periferia de Maceió. Duas delas foram multadas por extravio de notas fiscais.
João Teixeira dos Santos, 82 anos, é sócio-gerente da Carnal Carnes de Alagoas LTDA, uma empresa de carnes que já está inativa. Calheiros apresentou três recibos da empresa, no valor de R$ 127 mil. Teixeira dos Santos disse que nunca deu cheques nem comprou carnes do senador.
Segundo a reportagem, outra empresa teria comprado R$ 164 mil em bois de Calheiros. No endereço de Genildo Ferreira, dono da empresa, ninguém o conhece. O CPF do proprietário consta como suspenso na Receita Federal.
No local indicado como sede da empresa, as correspondências estão acumuladas e vizinhos afirmam que nunca viram funcionar comércio de carnes no local. A empresa, segundo a Secretaria da Fazenda, está inativa e foi multada em R$ 680 mil por extravio de notas fiscais.
O homem que disse ter sido contador das duas empresas, Roberto Gomes de Souza, afirmou que não se recorda de ter feito negócios com Calheiros.
Outra empresa que aparece nos recibos de vendas apresentados por Renan Calheiros é, na verdade, um pequeno açougue. A empresa também consta como inativa na Secretaria da Fazenda de Alagoas. Os recibos mostram que Calheiros teria vendido R$ 47 mil em gado. O dono do açougue confirmou a compra, mas não soube dizer o valor dos negócios.
O maior cliente de Calheiros, segundo a documentação apresentada ao conselho, é um açougue localizado em Benedito Bentes, para a qual Calheiros teria vendido R$ 429 mil. Mas a microempresa declarou faturamento de apenas R$ 23 mil no ano passado, de acordo com a reportagem.
Calheiros é dono de três fazendas e ainda arrenda outras três. Segundo ele, 1,7 mil cabeças de gado são criadas nessas terras, que ficam todas próximas, no Estado de Alagoas. As propriedades teriam rendido R$ 1,9 milhão nos últimos quatro anos. No entanto, o gerente das fazendas afirmou que o número de animais é bem menor, em torno de 1,1 mil cabeças de gado.
A reportagem afirma que a relação de cópias de cheques, extratos bancários e 70 recibos em folha de papel, sem timbre ou numeração, entregue por Calheiros ao Conselho de Ética do Senado, na semana passada, comprovaria os pagamentos feitos à jornalista Mônica Veloso, segundo a defesa do senador.
O conselho de Ética investiga a possibilidade dos pagamentos terem sido feitos por Cláudio Gontijo, lobista da construtora Mendes Júnior.
Calheiros disse que tem como provar a legalidade da venda do gado com notas fiscais, guias de transporte animal e cópias de cheques. Ele afirmou ainda que todo o dinheiro arrecadado com a venda foi depositado em sua conta pessoal e que os negócios foram fechados por um veterinário que presta serviços a ele em Alagoas.
O senador disse ainda que não é problema dele se algum empresário enganou o fisco. Ele afirmou que pediu à Secretaria da Fazenda de Alagoas documentos sobre os negócios realizados.
Calheiros afirmou ainda que o gerente de suas fazendas, Everaldo de Lima Silva, não tem noção do tamanho do rebanho.
Redação Terra