PF aguarda autorização para investigar deputado

11 de junho de 2007 • 18h20 • atualizado às 19h24

Graciliano Rocha
Direto de Campo Grande

Campo Grande


A Polícia Federal (PF) está esperando uma autorização do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, para investigar o deputado estadual José Ivan de Almeida (PSB/MS), o Coronel Ivan. Segundo a PF, o parlamentar seria um dos chefes de uma organização criminosa de exploração de caça-níqueis em Campo Grande (MS). O deputado estadual José Ivan de Almeida não foi encontrado para falar sobre as acusações.

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O Ministério Público Federal (MPF) informou, nesta segunda-feira, que um grupo de procuradores está trabalhando na investigação sobre a máfia do jogo e que já foi feito o pedido de autorização para investigação à Justiça Federal. A Justiça Federal de Campo Grande tem de encaminhar o pedido ao Tribunal Regional Federal, 3ª Região, que tem competência para decidir sobre o caso, visto que Coronel Ivan tem foro privilegiado.

Segundo a investigação da polícia, Ivan seria sócio de Hércules Mandetta Neto e Ari Portugal, acusados de chefiar uma quadrilha de exploração de caça-níqueis.

Gravações feitas pela PF, com autorização da Justiça, apontam o envolvimento do deputado em negociações com Ari Portugal. Em um telefonema grampeado no dia 2 de março, a relação entre os supostos sócios é tensa, com Coronel Ivan ameaçando romper com Portugal. Na gravação, Ivan diz que Portugal lhe deve R$ 100 mil.

"Eu vivo atrás de você, oh Ari, e você vive me dando o que você bem entende, sem prestar conta", reclama o coronel, que também demonstrou irritação. "Eu sou um deputado, sou um coronel de polícia".

Em outro trecho haveria cobrança de dívida: "Ari, se você for fazer as contas, sério, eu tenho mais de R$ 100 mil para receber de vocês". O deputado ameaça romper a suposta sociedade. "Eu quero só que você me devolva aquelas 12 máquinas que são minhas, e o restante não quero nem saber".

Segundo interpretação da PF, o diálogo deixa "claro que José Ivan de Almeida, vulgo 'Coronel Ivan', associou-se a Ari e ao advogado Hércules Mandetta na exploração de jogo de azar através das máquinas caça-níqueis".

Mandetta e Portugal estão presos desde a semana passada.

Propina

A suposta sociedade, contudo, não teria acabado. No final de março e em abril são registradas novas conversas telefônicas entre o deputado e Portugal, em um clima, aparentemente, mais amistoso.

Nos dias 30 de março e 2 de abril, Coronel Ivan conversou com Ari Portugal sobre o que seria, de acordo com a PF, uma negociação entre organizações criminosas para acertar o pagamento de propinas para a Polícia Civil.

A conversa registrada às 21h27 do dia 2 de abril, segundo interpretação da PF, trata da reunião entre "líderes de cinco grupos que exploram o jogo de azar através de máquinas caça-níqueis no Estado de Mato Grosso do Sul. Na tal reunião foi acordado que os cinco grupos iriam pagar R$ 10 mil de propina para a 'cúpula', no caso o delegado de Polícia Civil Fernando Augusto Soares Martins".

Na noite de 5 de abril, Coronel Ivan e Ari Portugal voltam a conversar. Desta vez, o assunto é uma operação da Polícia Federal que resultou na apreensão de 465 máquinas de caça-níqueis em Campo Grande e outras cinco cidades do interior do Estado.

A PF apreendeu as máquinas que teriam componentes supostamente contrabandeados. Conforme a polícia, Portugal informa ao deputado que liminares estão sendo preparadas para a liberação das máquinas que têm componentes nacionais.

Redação Terra
 
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