Graciliano Rocha
Direto de Campo Grande
São Paulo
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Escutas telefônicas feitas pela Polícia Federal com a autorização da Justiça mostram que gerentes das organizações comandadas por Nilton Cezar Servo e Ari Portugal negociaram em abril uma reunião para acertar o pagamento a Soares, que comandava a Delegacia de Ordem Pública e Social (Deops).
O tenente-coronel da Polícia Militar, Marmo Marcelino Arruda, o "Coronel Marmo", apontado como gerente da quadrilha de Portugal, conversou pelo telefone com Servo na tarde de 2 de abril deste ano. Marmo diz que haveria uma reunião ainda naquele dia entre os grupos rivais. Segundo o oficial da PM, se os dois grupos não se acertassem, "o homem vai acabar com tudo".
"O delegado de Polícia Civil Fernando Augusto Soares Martins, que segundo o Coronel Marmo irá reprimir a exploração do jogo de azar através de máquinas caça-níqueis em Campo Grande/MS caso os grupos que atuam na atividade ilícita não lhe paguem a 'propina'", diz documento da PF sobre a conversa entre os dois.
O "consórcio" teria sido fechado nos primeiros dias de abril, já que no dia 19, Ari Portugal conta a Hércules Mandetta Neto, apontado como um de seus sócios também preso, que o acordo foi fechado "por 10 por mês" - R$ 10 mil por mês, na interpretação da PF.
"Acertamos tudo, tudo acertado, doutor aqueles 80 vai ficar por 10, por 10 por mês, só, não é mais 20, agora só 10", diz Portugal.
Mandetta pergunta sobre o ¿equipamento¿ (caça-níqueis apreendidos, segundo a PF). "Amanhã já podemos trabalhar (...) então amanhã eu vou na Delegacia, eu e o Marmo, e vamos acertar tudo lá que a turma vai ser ouvida amanhã, já saímos de lá para jogar".
E Portugal esbanja confiança: "Nas nossas ninguém põe a mão mais".
Redação Terra