Caminhada 'Passos de Anchieta' atrai milhares no ES

07 de junho de 2007 • 14h26 • atualizado às 16h14
Participantes vão caminhar 100 km, de Vitória até Anchieta Foto: Eliana Gorritti/Especial para Terra
Participantes vão caminhar 100 km, de Vitória até Anchieta
07 de junho de 2007
Foto: Eliana Gorritti/Especial para Terra

Eliana Gorritti
Direto de Vitória

Vitória


Começou hoje a 10ª edição da caminhada "Os Passos de Anchieta", que deve reunir cerca de 4 mil pessoas no Espírito Santo. De cajado na mão, mochila nas costas e muita disposição, vários andarilhos irão percorrer 100 km até chegar ao destino final: o município de Anchieta, no sul do Estado.

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A caminhada coletiva é realizada em quatro dias. A concentração que antecede a saída ocorreu em frente à Catedral Metropolitana de Vitória, no centro da cidade. De lá, os andarilhos seguiram pela Beira-mar.

Nesta quinta-feira, primeiro dia da caminhada, os andarilhos vão percorrer o trecho da Catedral Metropolitana de Vitória até a praça da Barra do Jucu, em Vila Velha, em um percurso de 25 km.

A primeira edição do evento começou com 300 pessoas. Hoje, a trilha mais antiga do Brasil atrai pessoas de todo o Brasil e de várias partes do mundo. "Essa caminhada é a mais antiga do Brasil e é o quarto caminho do mundo. Essa caminhada inspirou várias rotas em todo o mundo. Já tivemos gente da Holanda, dos Estados Unidos, da Guatemala, Chile, Portugal, Espanha e Japão", explicou José Américo Gonçalves, um dos organizadores.

Para muitos, uma trilha de fé e reflexão, já que é a lembrança do percurso que o padre José de Anchieta fazia na missão catequizadora, no final do século XVI , quando saía de Anchieta para a capital capixaba para cuidar do Colégio de São Tiago, que se transformou na sede do governo estadual, denominado Palácio Anchieta.

A caminhada "Os Passos de Anchieta" estende-se pelo litoral capixaba. O roteiro pode ser feito com cunho religioso, histórico, cultural, turístico, ecológico ou até mesmo de reflexão.

Experiência
Henrique de Oliveira participa todos os anos, caracterizado de padre. Há 10 anos o Técnico em Agropecuária realiza a caminhada. "Para mim, essa caminhada tem muitos significados. É uma grande aventura. Faço muitas amizades pelo caminho e vejo lugares maravilhosos", afirmou.

Para vários andarilhos, a caminhada é considerada uma rica e marcante experiência. "Participo dos 'Passos de Anchieta' desde o início. Fui um dos fundadores da caminhada e hoje, no meio dessa multidão, sou um simples andarilho. A realização desse sonho tem um significado especial. Durante a caminhada eu penso nos meus problemas, me puno e me perdôo. É muito gratificante", garantiu o advogado Carlos Roberto Buteli.

O artesão Arildo Peçanha vende cerca de 100 cajados durante o evento. A "muleta" ajuda na caminhada e se torna uma lembrança que acompanha o andarilho durante todo o caminho. "Para mim é uma satisfação muito grande fabricar esses cajados. Todos trazem gravados o percurso feito pelo Padre Anchieta. Sei que muitos turistas levam de recordação. Tenho cajados meus espalhados por todo o mundo", afirmou, entusiasmado.

O caminho reserva vários percalços, mas o andarilho é recompensado por cenários encantadores como parques estaduais, praias desertas, rodovias e estradas de terra. No roteiro, o participante tem o privilégio de passar por vários pontos turísticos de ES, como a Prainha, a Gruta do Frei Pedro Palácios, o Convento da Penha, a Igreja Nossa Senhora de Assunção e o Morro do Moreno.

Segurança
A segurança dos participantes é uma das principais preocupações da organização do evento. "Nós temos o apoio da Polícia Militar, do Corpo de Bombeiros, da Defesa Civil, tanto pelo mar, quanto por terra. Os pontos de apoio contam com UTI Móveis com médicos e paramédicos, além de massagistas para auxiliar os participantes", afirmou Carlos Magno de Queiroz, diretor de trilha do evento.

Nos pontos de apoio, chamados "oásis", os andarilhos recebem água, frutas e medicação para as câimbras, bolhas e torções que, inevitavelmente, acabam surgindo. Também nos postos, as credenciais são carimbadas para que no fim do percurso o andarilho receba o certificado de participação. É preciso ter pelo menos metade dos 16 carimbos, para comprovar que o trajeto foi cumprido.

Nesta sexta-feira, segundo dia da caminhada, os andarilhos sairão da praça da Barra do Jucu e seguirão até Setiva, percorrendo um trecho de 28 km. No penúltimo dia, percorrem mais 24 km, de Setiba até Meaípe. Então, no último dia, são outros 23 km, de Meaípe em direção à Matriz de Anchieta. O evento termina no dia 10 de junho.

Diariamente os andarilhos vão percorrer jornadas médias de quatro a cinco horas. A caminhada anual é promovida pela ONG Abapa (Associação Brasileira dos Amigos dos Passos de Anchieta).

Redação Terra
 
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