Xeque-Mate: movimento era de R$ 250 mil por dia

04 de junho de 2007 • 19h37 • atualizado às 19h49

Graciliano Rocha
Direto de Campo Grande

Campo Grande


As cinco organizações criminosas desmanteladas nesta segunda-feira pela Polícia Federal (PF) movimentavam R$ 250 mil por dia com a exploração de máquinas caça-níqueis em Mato Grosso do Sul. A informação é do delegado Alexandre Custódio, um dos coordenadores da Operação Xeque-Mate.

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O delegado afirmou que o faturamento da máfia dos caça-níqueis em Mato Grosso do Sul caiu à metade desde a operação Artêmis 3, que, em abril, resultou na apreensão de máquinas caça-níqueis em seis cidades do Estado.

A operação Xeque-Mate resultou na prisão de 77 pessoas - 55 em Mato Grosso do Sul, 17 em São Paulo, duas no Paraná, uma em Mato Grosso, uma em Rondônia e outra no Distrito Federal.

Custódio não informou quem seriam os chefes e como funcionariam as quadrilhas por conta do segredo de Justiça, mas disse que as prisões feitas fora de Mato Grosso do Sul são de sócios ou de membros de organizações que colaboravam com a máfia do jogo no Estado.

Segundo ele, as quadrilhas concorriam entre si, mas faziam uma espécie de consórcio para pagar propina para a Polícia Civil fazer vistas grossas ao funcionamento das máquinas. As investigações revelaram que os policiais civis cobravam, cada um, propinas entre R$ 2 mil e R$ 10 mil por mês para facilitar a jogatina.

De acordo com a Polícia Federal, os três oficiais da Polícia Militar presos hoje - coronel Edson Gonçalves da Silva, tenente-coronel Marmo Marcelino Vieira de Arruda e major Sérgio Roberto de Carvalho - eram peças importantes na cadeia de comando das quadrilhas.

Carvalho já foi condenado por tráfico de drogas e Marmo, que foi subcomandante do Departamento de Operações de Fronteira, foi condenado por integrar uma quadrilha de policiais que facilitava a passagem de carros roubados para o Paraguai. Também foi preso o delegado da Polícia Civil Fernando Augusto Soares Martins.

Políticos
A Polícia Federal também está investigando se a máfia dos caça-níqueis financiou candidatos nas eleições do ano passado. Custódio não quis dar maiores detalhes sobre o assunto, mas afirmou que há indício de tráfico de influência.

Alguns dos detidos têm conexões políticas. Jamil Name Filho é sobrinho do presidente da Assembléia Legislativa de Mato Grosso do Sul, Jerson Domingos (PMDB). Nilton Cezar Servo II é filho de Nilton Cezar Servo Filho, que está foragido e foi candidato a deputado federal no ano passado pelo PSB.

Em Dourados, no sul de Mato Grosso do Sul, foi preso o ex-deputado estadual Roberto Razuk. Razuk cumpre pena de 20 anos em regime semi-aberto por crime contra o sistema financeiro nacional. Hércules Mandetta Neto, preso em Campo Grande, é irmão do secretário municipal de Saúde da Capital, Luiz Henrique Mandetta.

Redação Terra
 
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