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 Invasão da reitoria da USP completa um mês
03 de junho de 2007 08h33 atualizado às 09h42

Polícia bloqueia passagem de estudantes que pretendiam chegar ao Palácio dos Bandeirantes . Foto: Reinaldo Marques/Terra

Polícia bloqueia passagem de estudantes que pretendiam chegar ao Palácio dos Bandeirantes
Foto: Reinaldo Marques/Terra

A invasão da reitoria da Universidade de São Paulo (USP) pelos alunos completa um mês neste domingo. Mesmo após ser expedido um mandado de reintegração de posse, as negociações foram improdutivas, e os alunos permanecem ocupando o prédio de comando da maior universidade do País, com cerca de 80 mil alunos.

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O primeiro ato envolveu cerca de 150 alunos. Na tarde de quinta-feira, 3 de maio, eles derrubaram a porta de entrada da reitoria da USP, quebraram alguns vidros e móveis e se instalaram no local. No dia 16 de maio, os alunos ganharam a adesão de membros do Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp), que entraram em greve.

Ainda que de forma parcial, alguns cursos tentam manter a rotina, com aulas normais. É o caso da Faculdade de Economia e Administração. Cursos como os de Filosofia, História, Geografia, Letras e da Escola de Comunicação e Artes estão praticamente desertos.

No meio do fogo cruzado, a reitora da Universidade, Sueli Vilella - que estava viajando no dia da invasão - abriu o canal de negociação, depois de pedir a reintegração de posse do prédio, e cedeu a algumas reivindicações dos alunos, em vão. As ofertas da reitoria dizem respeito a café e almoço aos domingos no restaurante universitário, reestudo do prazo para jubilamento de alunos e ampliação do horário de funcionamento dos ônibus circulares da Cidade Universitária.

A reitora reclama da intransigência dos alunos e diz que contratações de professores e de funcionários para obras e serviços estão paradas porque os documentos estão dentro do prédio. Segundo ela, a partir da desocupação, serão necessários pelo menos seis meses para colocar em dia os processos que foram prejudicados pela ocupação. A folha de pagamento da universidade também estaria em risco, com a impossibilidade de se utilizar o prédio da reitoria, onde ela é produzida.

O motivo e a resposta

O principal motivo da ira dos alunos está em três decretos do governador do Estado de São Paulo, José Serra, que alteram alguns pontos da administração das universidades. Desde que ocuparam a reitoria, os alunos pedem a revogação das leis. Os manifestantes alegam que algumas medidas dificultam a melhor distribuição dos recursos da universidade, impedem as contratações e tiram a autonomia das instituições.

Para tentar acalmar os ânimos, o governador publicou no Diário Oficial do Estado, dia 29, um ato declaratório com o objetivo de explicar a abrangência dos decretos assinados no início do ano, relativos às universidades. Com isso, o governo pretende reafirmar que os decretos não ferem a autonomia das universidades, como alegam professores, estudantes e servidores.

Reintegração
O juiz titular da 13ª Vara da Fazenda Pública de São Paulo, Edson Ferreira Silva, determinou que o Batalhão de Choque da Polícia Militar de São Paulo cumprisse, a partir de 18 de maio, a reintegração de posse no prédio da reitoria da universidade. O mandado de reintegração expedido dois dias antes.

A iminência do cumprimento do mandado, dia 22 de maio, o comandante do Batalhão de Choque da Polícia Militar de São Paulo, Joviano Conceição Lima, afirmou, depois de reunião com a reitora da USP que os alunos que ocupam o prédio da reitoria podem deixar o local presos.

"Caso seja constatada depredação patrimonial, desacato ou furto, a polícia tem obrigação de prendê-los. Entre outras coisas, eles podem responder por formação de quadrilha", disse, na ocasião, quando afirmou ainda que estava com o plano montado para cumprir a ordem judicial. A partir dessa data, não deu mais nenhuma declaração à imprensa.

O confronto
No dia seguinte, os alunos e funcionários públicos, majoritariamente da Associação dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) fizeram uma caminhada da avenida Paulista até a Assembléia legislativa. Na data, deveriam ser votados os decretos do governador José Serra. Houve confronto com a polícia e a sessão acabou adiada. Não houve registro de prisões.

Cerca de 3 mil alunos e funcionários da USP, além de simpatizantes do movimento, participaram do protesto que pretendia chegar ao Palácio dos Bandeirantes, na tarde do dia 31 de maio, nas ruas da capital. A polícia montou barreiras para conter o avanço dos manifestantes, que tentaram romper o bloqueio por quatro vezes. Houve confronto e a manifestação foi contida pelos policiais com gás-pimenta.

No mesmo dia, o secretário de Justiça, Luiz Antônio Guimarães Marrey reiterou que não haverá negociações sem desocupação da reitoria. Na última sexta-feira, os estudantes decidiram manter a ocupação do prédio da reitoria da universidade, após a realização de uma assembléia. Nesta segunda-feira, os estudantes têm uma reunião agendada com a reitora da USP, Sueli Vilella, para negociar as reivindicações. Um mês depois, tudo recomeça, praticamente do zero.

Redação Terra