USP: reunião acaba sem acordo; ocupação é mantida

24 de maio de 2007 • 15h08 • atualizado em 25 de maio de 2007 às 10h03
Helicópteros da PM sobrevoaram o campus da USP no início da tarde Foto: Vagner Magalhães/Terra
Helicópteros da PM sobrevoaram o campus da USP no início da tarde
24 de maio de 2007
Foto: Vagner Magalhães/Terra

Vagner Magalhães e Felipe Gil
Direto de São Paulo

São Paulo


A reunião entre estudantes que ocupam o prédio da reitoria da Universidade de São Paulo (USP) e o secretário da Justiça e Defesa da Cidadania, Luiz Antonio Marrey, terminou sem acordo, na noite desta quinta-feira. Um novo encontro foi marcado para a próxima segunda-feira com a presença de Marrey, de representantes dos alunos, da Defensoria Pública e do Ministério Público. Os estudantes irão manter a ocupação do prédio da reitoria.

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A reunião não avançou quanto a possibilidade de reintegração de posse pela Tropa de Choque da Polícia Militar. Marrey não deu garantias de que a PM não cumprirá a determinação judicial. "Eles não assumiram compromisso de desocupar, o governo não pode assumir o compromisso de não cumprir a ordem judicial", disse o secretário, que afirmou que a reintegração de posse vai ser cumprida, embora se busque uma forma pacífica de isso ocorrer.

O integrante do Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp) Magno Carvalho considerou a reunião um avanço "na medida em que abre possível negociação com relação aos decretos". Com relação a entrada da Tropa de Choque, ele afirma: "seria absurdo, do ponto de vista político, o governo marcar uma reunião e no meio desse período nós sermos atacados pela polícia", disse.

O representante dos alunos Douglas Anfra, estudante de Filosofia, disse que os alunos vão deliberar sobre a reunião em assembléia.

O deputado Vanderlei Siraque (PT), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), disse que entende "que (a ação da polícia) fica suspensa". "Conclamamos a reitora que também dialogue com os estudantes. Esperamos que seja resolvido de forma pacífica", afirmou.

O secretário Marrey afirmou, antes de entrar para a reunião com estudantes, que o governo não tem intenção de revogar os decretos que geraram a crise. "Não há motivos para revogarmos porque aperfeiçoamentos sempre podem existir. Acho que houve má interpretação dos textos. Nós todos defendemos a autonomia das universidades, que é importante e constitucional", disse. Mas ressaltou que está aberto ao diálogo. É a primeira vez desde o início da ocupação, em 3 de maio, que um representante do governo abre diálogo com os alunos.

Os alunos chegaram atrasados na reunião, que estava marcada para as 19h. Eles deixaram a reitoria da USP por volta das 18h10, mas disseram que encontraram dificuldades para chegar no horário por causa do intenso trânsito da capital paulista.

O comando do grupamento de choque da Polícia Militar (PM) do Estado de São Paulo tinha marcado para a manhã de ontem ma reunião com os estudantes, mas o encontro foi adiado. A PM justificou o adiamento dizendo que ainda estava finalizando o plano para o cumprimento da ordem judicial de reintegração de posse no prédio da reitoria. Um helicóptero da PM sobrevoou o campus no início da tarde de quinta.

Redação Terra
 
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