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Cerca de 400 policiais federais estão mobilizados na captura dos suspeitos no Distrito Federal e em nove Estados (Alagoas, Bahia, Goiás, Mato Grosso, Sergipe, Pernambuco, Piauí, Maranhão, São Paulo). Há ainda 84 mandados de busca e apreensão, decretados pela ministra do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Eliana Calmon. A operadora do esquema seria a empresa Gautama, de Salvador (BA).
Como o esquema operava
As investigações começaram em novembro de 2006. Segundo a PF, o esquema tinha três etapas: primeiro, garantia o direcionamento de verbas públicas para obras de interesse da quadrilha; segundo, obtinha a vitória das empresas envolvidas nas licitações para executar as obras e, por fim, assegurava a liberação de pagamentos de obras superfaturadas, irregulares ou mesmo inexistentes.
O grupo era organizado em três níveis. No primeiro, atuavam pessoas diretamente ligadas à construtora Gautama. No segundo, estavam os auxiliares e intermediários, principalmente os responsáveis pelo pagamento das propinas. No último havia autoridades públicas que tinham a função de remover obstáculos à atuação da organização criminosa.
Alagoas
Em Alagoas, foram detidos o diretor do Departamento Estadual de Trânsito (Detran), José Márcio Fidelson, o secretário e o subsecretário de Infra-Estrutura, Adeílson Bezerra e Denisson Tenório, respectivamente. Ao ser detido, Tenório mostrou surpresa. "Acho que estou sendo chamado por causa do Pratagy", afirmou. O Pratagy é uma obra hídrica, com o propósito de levar água para a parte baixa de Maceió. A maior parte foi construída no governo anterior.
Bahia
Na Bahia, foram presas nove pessoas, entre elas, o dono da Gautama, Zuleido Soares de Veras, e outros executivos da empresa, o prefeito de Camaçari, Luis Caetano, e o secretário de Obras da cidade, Iran Ferreira, filho do deputado Otomar Ferreira (PMDB).
É grande a movimentação na sede da Polícia Federal na Bahia, em Água de Meninos. Por volta das 11h30, chegaram ao local cinco advogados e assessores de Caetano. A Prefeitura de Camaçari informou que prestar esclarecimentos na tarde de hoje.
Maranhão
Foi preso nesta manhã o ex-governador do Maranhão José Reinaldo Tavares, em seu apartamento, na praia da Ponta D´Areia, em São Luís. Ele foi levado para a superintendência da PF, de onde deve ser transferido para Brasília ainda hoje. Foram detidos também o secretário de infra-estrutura do Estado, Ney Belo, e o advogado Alexandre Lago, sobrinho do governador Jackson Lago.
Mato Grosso
Em Mato Grosso, a PF prendeu o prefeito de Sinop, Nilson Leitão (PSDB), e o secretário municipal, Jair Pecinini. O prefeito foi detido em casa, em Sinop, e o secretário, no Maranhão. Eles serão transferidos ainda hoje para Brasília.
Conforme os policiais federais, a administração municipal privilegiava nas licitações a empresa Gautama e outras companhias participantes do esquema. A Gautama, segundo a PF, fazia obras que não eram necessárias ou entregava obras inacabadas.
Piauí
Segundo a Polícia Federal do Piauí, no Estado, os integrantes do esquema fraudavam o programa Luz para Todos e estariam se preparando para fraudar obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Os agentes federais piauienses prenderam o presidente e o diretor administrativo da Companhia Energética do Piauí (Cepisa), Jorge Tarja, e os engenheiros da Gautema, João Manoel de Barros e Dimas Veras.
Ao sair da sede da Polícia Federal, o advogado da Cepisa, Mário Roberto Pereira de Araújo, confirmou que o presidente Jorge Tarja estava preso e se encontrava na sede da PF. Ele disse que foi levar informações a pedido da assessoria jurídica da companhia. Jorge Tarja estava na administração da companhia há cerca de três anos, através de indicação do ex-senador e atual deputado federal, Alberto Silva (PMDB/PI).
Origem das verbas
A quadrilha desviou recursos do Ministério de Minas e Energia, da Integração Nacional, das Cidades, do Planejamento, e do DNIT. Em nível estadual, as fraudes ocorreram nos Estados de Alagoas, Maranhão, Sergipe, Piauí e Distrito Federal. Quanto a obras municipais, estariam envolvidas autoridades de cidades Camaçari (BA) e Sinop (MT).
A ministra determinou ainda o bloqueio de contas e a indisponibilidade dos bens imóveis dos integrantes do esquema, e que todos os presos sejam levados a Brasília.
Redação Terra