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PF prende ex-governador, prefeitos e deputado

17 de maio de 2007 08h40 atualizado em 18 de maio de 2007 às 00h34

A Operação Navalha da Polícia Federal, deflagrada às 6h desta quinta-feira, já deteve 46 suspeitos de participar de um esquema de desvio de recursos públicos federais, por meio de fraudes em licitações. Entre os detidos estão o deputado distrital Pedro Passos (PMDB); o prefeito de Camaçari (BA), Luiz Caetano (PT); o prefeito de Sinop (MT), Nilson Leitão (PSDB); e o ex-governador do Maranhão José Reinaldo Tavares (PSB), além de secretários de Estados e municípios. Além de políticos, foram presos funcionários públicos e empresários envolvidos no esquema.

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Cerca de 400 policiais federais estão mobilizados na captura dos suspeitos no Distrito Federal e em nove Estados (Alagoas, Bahia, Goiás, Mato Grosso, Sergipe, Pernambuco, Piauí, Maranhão, São Paulo). Há ainda 84 mandados de busca e apreensão, decretados pela ministra do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Eliana Calmon. A operadora do esquema seria a empresa Gautama, de Salvador (BA).

Como o esquema operava
As investigações começaram em novembro de 2006. Segundo a PF, o esquema tinha três etapas: primeiro, garantia o direcionamento de verbas públicas para obras de interesse da quadrilha; segundo, obtinha a vitória das empresas envolvidas nas licitações para executar as obras e, por fim, assegurava a liberação de pagamentos de obras superfaturadas, irregulares ou mesmo inexistentes.

O grupo era organizado em três níveis. No primeiro, atuavam pessoas diretamente ligadas à construtora Gautama. No segundo, estavam os auxiliares e intermediários, principalmente os responsáveis pelo pagamento das propinas. No último havia autoridades públicas que tinham a função de remover obstáculos à atuação da organização criminosa.

Alagoas
Em Alagoas, foram detidos o diretor do Departamento Estadual de Trânsito (Detran), José Márcio Fidelson, o secretário e o subsecretário de Infra-Estrutura, Adeílson Bezerra e Denisson Tenório, respectivamente. Ao ser detido, Tenório mostrou surpresa. "Acho que estou sendo chamado por causa do Pratagy", afirmou. O Pratagy é uma obra hídrica, com o propósito de levar água para a parte baixa de Maceió. A maior parte foi construída no governo anterior.

No Estado, há 40 agentes da Polícia Federal atuando na operação, para cumprir 11 mandados de prisão.

Bahia
Na Bahia, foram presas nove pessoas, entre elas, o dono da Gautama, Zuleido Soares de Veras, e outros executivos da empresa, o prefeito de Camaçari, Luis Caetano, e o secretário de Obras da cidade, Iran Ferreira, filho do deputado Otomar Ferreira (PMDB).

Eles estariam envolvidos em fraudes de licitações com a empresa Gautama no bairro do Stiep. A Gautama é uma das empresas selecionadas para atuar nas obras da transposição do Rio São Francisco.

É grande a movimentação na sede da Polícia Federal na Bahia, em Água de Meninos. Por volta das 11h30, chegaram ao local cinco advogados e assessores de Caetano. A Prefeitura de Camaçari informou que prestar esclarecimentos na tarde de hoje.

Maranhão
Foi preso nesta manhã o ex-governador do Maranhão José Reinaldo Tavares, em seu apartamento, na praia da Ponta D´Areia, em São Luís. Ele foi levado para a superintendência da PF, de onde deve ser transferido para Brasília ainda hoje. Foram detidos também o secretário de infra-estrutura do Estado, Ney Belo, e o advogado Alexandre Lago, sobrinho do governador Jackson Lago.

Mato Grosso
Em Mato Grosso, a PF prendeu o prefeito de Sinop, Nilson Leitão (PSDB), e o secretário municipal, Jair Pecinini. O prefeito foi detido em casa, em Sinop, e o secretário, no Maranhão. Eles serão transferidos ainda hoje para Brasília.

Conforme os policiais federais, a administração municipal privilegiava nas licitações a empresa Gautama e outras companhias participantes do esquema. A Gautama, segundo a PF, fazia obras que não eram necessárias ou entregava obras inacabadas.

Piauí
Segundo a Polícia Federal do Piauí, no Estado, os integrantes do esquema fraudavam o programa Luz para Todos e estariam se preparando para fraudar obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Os agentes federais piauienses prenderam o presidente e o diretor administrativo da Companhia Energética do Piauí (Cepisa), Jorge Tarja, e os engenheiros da Gautema, João Manoel de Barros e Dimas Veras.

Ao sair da sede da Polícia Federal, o advogado da Cepisa, Mário Roberto Pereira de Araújo, confirmou que o presidente Jorge Tarja estava preso e se encontrava na sede da PF. Ele disse que foi levar informações a pedido da assessoria jurídica da companhia. Jorge Tarja estava na administração da companhia há cerca de três anos, através de indicação do ex-senador e atual deputado federal, Alberto Silva (PMDB/PI).

Origem das verbas
A quadrilha desviou recursos do Ministério de Minas e Energia, da Integração Nacional, das Cidades, do Planejamento, e do DNIT. Em nível estadual, as fraudes ocorreram nos Estados de Alagoas, Maranhão, Sergipe, Piauí e Distrito Federal. Quanto a obras municipais, estariam envolvidas autoridades de cidades Camaçari (BA) e Sinop (MT).

A ministra determinou ainda o bloqueio de contas e a indisponibilidade dos bens imóveis dos integrantes do esquema, e que todos os presos sejam levados a Brasília.

Redação Terra