Os empresários citados na Operação Moeda Verde e que permaneceram detidos na carceragem da Superintendência da Polícia Federal (PF) em Santa Catarina fizeram várias contribuições para as campanhas eleitorais de políticos catarinenses. Segundo dados declarados ao TRE e disponíveis no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), as doações realizadas por alguns dos empresários superaram os R$ 200 mil nas últimas duas campanhas eleitorais.
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Deflagrada há 10 dias, a operação resultou na prisão de 22 pessoas nos Estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. A Polícia Federal acredita que elas integram um esquema de negociação de licenças ambientais e atos administrativos para viabilizar construções de empreendimentos imobiliários em áreas de proteção.
O vereador Juarez Silveira, apontado como o líder do esquema, teve quase 50% de sua última campanha eleitoral paga pelo grupo Habitasul. Dos R$ 84 mil arrecadados para a disputa informados ao tribunal, ele recebeu R$ 40 mil da construtora. Outros R$ 20 mil destinados para a campanha de Juarez, líder de governo do prefeito de Florianópolis, Dario Berger, também foram doados por grandes construtoras de Santa Catarina. As empresas não foram citadas nas investigações da PF.
Um empreendimento da empresa gaúcha Habitasul no bairro de Jurerê Internacional, um dos mais valorizados de Santa Catarina, deu início às investigações. Foram presos os empresários Hélio Scheffel Chevarria, Péricles de Freitas Druk e Fernando Soledade. Eles foram liberados após conseguir um habeas-corpus.
Fatma
O grupo efetuou doações de R$ 559 mil na campanha de 2006 para vários candidatos, entre eles Sérgio Grando, ex-presidente da Fatma, órgão estadual responsável pela emissão de licenças ambientais. O ex-prefeito de Florianópolis deixou a presidência do órgão no ano passado para concorrer a uma vaga na Assembléia Legislativa e, segundo consta em sua prestação de contas, recebeu R$ 10 mil como doação de campanha da Habitasul Empreendimentos.
O comitê do PMDB de Santa Catarina recebeu R$ 50 mil. As doações da construtora somaram R$ 459 mil, a maioria no Rio Grande do Sul. Os comitês estaduais de PMDB e PDT receberam R$ 50 mil cada um. Entre doações diretas a candidatos, postulantes de cargos diversos receberam no total R$ 254 mil, entre eles a hoje governadora Yeda Crussis (R$ 100 mil).
O empresário Fernando Marcondes de Mattos, proprietário do Costão do Santinho, também foi detido durante a Operação Moeda Verde e permaneceu por dois dias na superintendência da Polícia Federal. Segundo os dados do TSE, uma de suas empresas, a Inplac, realizou uma doação de R$ 10.491,20 ao então candidato a deputado André Luiz Dadan, servidor da Fatma que ainda está preso na sede da PF.
O empresário também doou R$ 100 mil ao candidato à reeleição Luiz Henrique da Silveira, por meio de outra empresa: Santinho Empreendimentos. Logo que deixou a carceragem da polícia, na noite de domingo passado, Mattos foi recebido pelo peemebedista na casa da Agronômica, residência oficial do governador do Estado.
As análises aos documentos de prestaação de contas entregue ao tribunal eleitoral (e que já foram observadas pela Polícia Federal) mostram também pequenas doações nas últimas duas disputas eleitorais. Em 2004, Percy Haensch, suspeito de comprar licença para construir uma escola em Jurerê Internacional, contribuiu com R$ 15 mil na campanha de outro vereador de Florianópolis, João Batista Nunes (PDT).
Dois anos depois, a campanha do candidato ao governo do Estado derrotado em 2006, Esperidião Amin, contabilizou a entrada de R$ 8 mil de uma concessionária de veículos de propriedade de Paulo Toniollo Júnior, outro empresário detido na Operação. A mesma DVA Veículos na campanha de 2004 havia destinado R$ 1 mil ao então candidato Dario Berger, hoje prefeito municipal.
A coordenadora de controle interno do Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina, Denise Goulart Schilickmann, explica que as doações não são ilegais e que qualquer pessoa fí¬sica ou jurídica pode escolher candidatos de sua preferência para contribuir nas campanhas. "Deve-se apenas respeitar os limites de 10% da renda anual para pessoas físicas e 2% para as pessoas jurídicas", disse.
A operação desencadeada pela Polícia Federal gerou uma crise e tumultuou o ambiente em Florianópolis. Enquanto poder público e associações empresariais criticaram a ação dos policiais por considerá-la exagerada, ambientalistas e entidades civis promoveram uma série de protestos, com direito a jogo de golfe diante do prédio da Superintendência e faxina na porta da Câmara Municipal.
A partir dessa semana, outros depoimentos poderão ser colhidos. O gerente do Ibama em Santa Catarina, Luis Ernesto Trein será esperado na Polícia Federal para prestar esclarecimentos. A delegada Júlia Vergara anunciou que mais buscas serão realizadas em prédios públicos.
- Redação Terra

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