Os atentados tiveram um saldo de 172 mortos, assustaram e paralisaram a cidade |
Felipe Gil
Direto de São Paulo
São Paulo
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Em 12 de maio do ano passado, ataques a ônibus, delegacias e bases policiais tiveram início após uma série de transferências de presos ligados à facção. Uma semana depois, os números eram de 239 ataques e 152 mortos - 107 suspeitos, 23 policiais militares, sete policiais civis, três guardas municipais, oito agentes penitenciários e quatro cidadãos.
Entre os ataques, 82 foram a ônibus, 56 a residências de policiais, 17 a bancos e caixas eletrônicos, um a garagem de ônibus, um a estação de Metrô, um à Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), e outras 135 agressões diversas. Ainda conforme os números oficiais, foram apreendidas 146 armas.
A cidade parou na tarde do dia 15 de maio em meio a uma série de boatos sobre ataques a universidades, escolas e centros de compras. Empresas e repartições públicas dispensaram funcionários mais cedo e escolas liberaram seus alunos. O horário de pico no trânsito foi antecipado para as 16h e a rede de telefones celulares ficou congestionada. Ao escurecer, as ruas da cidade estavam desertas.
O delegado Youssef Chain, diretor do Departamento de Combate ao Crime Organizado (Deic), elogiou os investimentos em inteligência policial ocorridos no governo de José Serra. "Há uma continuidade, os trabalhamos vêm se aprimorando dia a dia. Preparados sempre estivemos, mas a informação está fluindo com velocidade, o que é importante para qualquer trabalho policial", disse Chain.
Indenizações
No final de abril, o governo do Estado de São Paulo começou a pagar indenizações aos familiares dos agentes penitenciários mortos durante os ataques. Cada família tem direito a R$ 50 mil, de acordo com projeto de lei aprovado pela Assembléia Legislativa e sancionado, em novembro de 2006, pelo então governador Cláudio Lembo.
Em março, os familiares de 23 policiais mortos nos ataques já haviam recebido indenização de R$ 100 mil cada, por determinação do governador José Serra. Das vítimas, 16 eram policiais militares e sete policiais civis. No total, o valor pago pelo Estado chegará a R$ 2,85 milhões.
Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado como principal líder do PCC, foi transferido no último dia 8 para a Penitenciária II de Presidente Venceslau, no interior de São Paulo. A mudança ocorreu depois que o prazo de 360 dias de internação sob o Regime Diferenciado (RDD), o mais rígido do País, venceu.
Em Venceslau, ele ficará em cela comum e vai conviver com os outros presos. A maioria dos líderes do PCC estão presos na mesma penitenciária, que é para onde sempre são levados presos que deixam o RDD.
Redação Terra