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Moeda Verde: PF entrega relatório final amanhã

06 de maio de 2007 17h16

A Polícia Federal deve apresentar até o meio-dia de amanhã um relatório final sobre a Operação Moeda Verde, que culminou na prisão de 19 pessoas em Santa Catarina e Rio Grande do Sul, acusadas de integrar um esquema de compra de licenças ambientais para empreendimentos imobiliários.

O Shopping Center Iguatemi, segundo o depoimento da arquiteta do empreendimento, Margarida Emília Milani Quadros, teria pago o valor de R$ 27 mil para um servidor da Prefeitura Municipal de Florianópolis, para que o habite-se fosse liberado. As obras do empreendimento, inaugurado há três semanas, foram embargadas duas vezes após ação movida pelo Ministério Público Federal. A acusação é a de que o shopping, de 90 mil metros quadrados, foi construído sobre um mangue.

A arquiteta, que prestou depoimento na sexta-feira, foi liberada após colaborar com as investigações. "Infelizmente comprovamos muitas trocas de favores e benefícios financeiros recebidos por algumas das pessoas envolvidas", admitiu Júlia Vergara, delegada responsável pelo caso.

Na noite de sábado, mais quatro presos foram liberados após determinação da Justiça Federal. Foram expedidos alvarás de soltura em favor de Francisco Rzatki, Marcelo Vieira Nascimento, Itanoir Cláudio (assessor de gabinete do vereador Juarez Silveira) e Paulo César Maciel da Silva (um dos proprietários do shopping Iguatemi).

Apenas quatro envolvidos continuam presos na sede da Polícia Federal em Santa Catarina: o vereador Juarez da Silveira, apontado como o líder do esquema, o secretário da Secretaria de Urbanismo da capital, Renato Juceli de Souza, além de Rubens Bazzo, servidor municipal, e André Luiz Dadam, que ocupava um cargo comissionado na Coordenadoria Geral de Florianópolis. O juiz da Vara Ambiental da Justiça Federal em Florianópolis, Zenildo Bodnar, negou ontem à noite os pedidos de liberação para estes acusados. Segundo sua decisão, eles ainda ateriam o que acrescentar às investigações.

A Polícia Federal tem até amanhã ao meio-dia para apresentar à Justiça o relatório final da Operação Moeda Verde. Depois disso, o Ministério Público Federal (MPF) tem até as 18h para emitir seu parecer. Se houver pedidos de prisões temporárias, a Justiça deve se manifestar até à meia noite desta segunda-feira. Nenhuma fonte quis informar se serão pedidas novas prisões amanhã.

A prisão de políticos e empresários conhecidos em Florianópolis movimentou a cidade e prvocou os mais diversos tipos de reação. O governador de Santa Catarina, Luiz Henrique da Silveira (PMDB), afirmou, por intermédio de nota de sua assessoria de comunicação, que a ação da Polícia Federal na Operação Moeda Verde "espanta investidores interessados em implantar projetos ou empreendimentos no Estado".

O governo estadual tem servidores que ocupam caros comissionados entre os detidos da última semana. Luiz Henrique preferiu não afastá-los enquanto a Polícia federal não concluir os inquéritos. "Há muito de pirotecnia federal nisso", disse.

O prefeito de Florianópolis, Dário Berger, afastou todos os sete servidores envolvidos e em entrevista coletiva culpou a administração anterior, da hoje deputada federal Ângela Amin, como a responsável pela emissão de licenças.

Por outro lado, ambientalistas e integrantes de movimentos sociais realizaram manifesto na porta da polícia federal na noite de sexta-feira. Um oceanógrafo chegou a se vestir de jogador de golfe, para fazer alusão a um empreendimento imobiliário investigado. Para a tarde desta segunda, está prevista uma nova manifestação.

Segundo os organizadores, os integrantes usarão roupas ou um pano verde para comemorar a atuação da Polícia Federal.

Redação Terra