Mario Tonocchi
Direto de Campinas
São Paulo
Barbom Filho, que morreu por volta de 1h deste domingo, no hospital municipal da cidade, era dono do Jornal Realidade, fundado há cinco anos em Porto Ferreira. Ele foi um dos primeiros a denunciar um esquema de aliciamento de adolescentes, em 2003.
Na época, quando a investigação da polícia chegou à mídia, segundo o investigador da polícia local, Sérgio Luiz Corrêa, o jornalista causou escândalo entre os moradores do município publicando detalhes do relacionamento sexual de políticos e empresários de Porto Ferreira com adolescentes, em festas promovidas em ranchos às margens do Rio Mogi Guaçú.
Barbom Filho foi enterrado na tarde deste domingo em Tambaú, interior paulista, cidade onde nasceu. Segundo Corrêa, as testemunhas informaram que o jornalista estava com o amigo Alcides Marcílio Catarino, aposentado de 57 anos, em uma mesa de calçada em um bar, próximo à rodoviária, quando chegaram os dois homens com roupas pretas e capacetes em uma moto escura.
O garupa desceu da moto, se aproximou dos dois e atirou. O disparo acertou a região lombar e a perna de Barbom Filho. Estilhaços também acertaram o aposentado,que sofreu apenas pequenos ferimentos. Depois de medicado, ele foi liberado pelos médicos.
"Não podemos descartar a relação do assassinato com o escândalo sexual, mas ele tinha muitos inimigos na cidade. O jornal dele era detestado", disse o policial. De acordo com Corrêa, provavelmente os mesmos homens da moto escura fizeram outro disparo em um bairro da periferia da cidade em direção a um grupo de jovens. Os policiais investigam se são os mesmos homens e se há relação entre os casos.
Justiça
O escândalo sexual de Porto Ferreira envolveu quatro empresários, cinco vereadores e o garçom Walter Mafra, que organizava as festas, e hoje é o único ainda preso, na penitenciária de Itaí. Condenado a seis anos de prisão, o empresário Luiz Dozzi Tezza foi libertado depois de cumprir um terço da pena por bom comportamento e ser réu primário. Sentenciado a nove anos, Luiz Mantovani Borceda, ex-vereador, também está em liberdade condicional.
Já o vereador Luís César Lanzoni, mesmo preso na Penitenciária de Sorocaba, foi um dos mais votados na cidade na eleição de 2004. Ele reassumiu o cargo em abril deste ano sob mandado de segurança. Ele foi condenado a 45 anos, mas conseguiu reduzir a pena a dez. Saiu da cadeia em novembro do ano passado.
Redação Terra