PF: quadrilha pode ter fraudado Carnaval do Rio

15 de abril de 2007 • 23h22 • atualizado em 16 de abril de 2007 às 08h52

O delegado da Polícia Federal Emanuel Henrique de Oliveira levantou a suspeita de que um dos presos na Operação Furacão da Polícia Federal teria influenciado o resultado do desfile das escolas de samba do Carnaval do Rio de Janeiro. Anisio Abrahão Davi, o Anísio, é presidente de honra da escola de samba Beija-Flor de Nilópolis, campeã em 2007 e outras quatro vezes nos últimos cinco anos. "Há fortes indícios que o resultado tenha sido manipulado pelo senhor Anísio", afirmou.

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"Esse grupo, mais do que uma organização criminosa, é um grupo mafioso, que tem audácia. Ele faz questão de mostrar o poder interferindo no Legislativo, no Judiciário, no Executivo e até no resultado do Carnaval do Rio de Janeiro", disse o delegado.

Outros dois capturados na operação são o presidente da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), Ailton Guimarães Jorge, o Capitão Guimarães, e seu sobrinho Júlio Guimarães Sobreira, que foi, curiosamente, o coordenador de jurados da Liesa este ano.

O delegado Oliveira adiantou que nos próximos dias novas prisões serão feitas. "A Operação Furacão vai influir nas polícias Civil, Militar e Federal. É um divisor de águas. Será a perspectiva de um novo Rio de Janeiro", afirmou.

Dinheiro escondido
Imagens produzidas pela PF e exibidas pelo Fantástico mostram o momento em que policiais encontraram dinheiro, jóias e relógios de luxo no escritório de Júlio Guimarães, sobrinho do presidente da Liga das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa), Aílton Guimarães. Os dois foram detidos na operação.

Ao vasculhar o local, os policiais desconfiaram que um armário embutido poderia esconder uma parede falsa. Eles arrancaram o fundo do móvel e abriram com uma marreta a parede de alvenaria oca que estava no fundo. Dentro, havia dezenas de malotes de dinheiro. "Muita grana, moleque!", exclamou um policial.

Ação na casa do samba
A administração da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), na Cidade do Samba, e sua sede, na Praça Mauá, também foram alvo de busca e apreensão da PF sexta-feira. Integrantes da Liesa dizem que os fatos não afetarão o Carnaval. Mas o clima é de expectativa diante da proximidade das eleições para a presidência da Liga, em 16 de maio.

A prisão do presidente da Liesa pegou a diretoria do samba de surpresa. A Liga está em recesso, mas Capitão Guimarães - que desde 2001 é o presidente e também esteve no cargo de 1987 a 1992 - já tinha manifestado desejo de se reeleger. Na sua ausência, o vice-presidente, Jorge Castanheira, seria o candidato natural.

Na quadra da Acadêmicos do Cubango, em Niterói, foi estendida faixa de agradecimento aos três bicheiros presos: Guimarães, Anísio e Antônio Petrus Kalil, o Turcão, que ajudará a escola no próximo Carnaval.

A ação da PF também mobilizou as comunidades virtuais. No Orkut, grupos que reúnem torcedores comentaram o caso, levando a rivalidade à Internet. Grupo da Mangueira, sob o título "Será que a mina de ouro da BF chegou ao fim?", insinuou que a vitória da Azul-e-Branca, este ano, não se deveu ao desempenho na Avenida, mas à ligação entre os presidentes da escola e da Liga.

No tópico "Anísio e Capitão presos!", os mangueirenses comemoram a prisão."Já sabíamos por que a Beija-Flor tinha condições de fazer carnavais tão caros com o dinheiro da corrupção", critica o mangueirense Pablo Brandão, 18 anos. Na comunidade da Portela comentou-se possível mudança no Carnaval. "Talvez se mude a mentalidade e não se faça carnavais tão caros", escreveu o casal Mônica e André. Na maior comunidade da Beija-Flor, com 41.728 membros, as declarações eram de estímulo. "Não é a primeira vez que acontece e não vai atingir a nossa Beija-Flor", encorajou Rômulo.

Redação Terra
 
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