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Presos na Operação Furacão depõem neste sábado

14 de abril de 2007 04h28 atualizado às 07h18

Presos pela Operação Furacão da Polícia Federal são transferidos. Foto: Ernani Alves/Redação Terra

Presos pela Operação Furacão da Polícia Federal são transferidos
Foto: Ernani Alves/Redação Terra

A Polícia Federal deve colher os depoimentos dos 25 detidos na Operação Furacão, a partir das 14h deste sábado, em Brasília. Eles são acusados de envolvimento com exploração de jogos ilegais, corrupção de agentes públicos, tráfico de influência e receptação. As prisões ocorreram ontem, nos Estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Bahia.

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No Rio, 23 pessoas foram detidas. Elas deixaram a Superintendência da Polícia Federal na madrugada deste sábado. Os suspeitos foram colocados em um ônibus e levados até a base aérea do Galeão, onde embarcaram num avião para Brasília.

O coletivo foi escoltado por cinco carros, com cerca de 30 agentes federais fortemente armados, alguns com fuzis. As viaturas só tiveram os giroscópios ligados depois de passarem pela Linha Vermelha, via expressa que corta favelas do Complexo da Maré, na zona norte da cidade.

Entre os transferidos estão: o presidente de honra da escola de samba Beija-Flor de Nilópolis, Aniz Abraão David, e o presidente da Liga Independente das Escolas de Samba, Ailton Guimarães. Os dois são apontados como contraventores que dariam propina em troca de medidas judiciais para facilitar o funcionamento de bingos e bares com máquinas caça-níqueis.

Também foram levados para Brasília o procurador da República, João Sérgio Pereira, e o desembargador José Eduardo Carreira Alvim, que foi vice-presidente do Tribunal Regional Federal e concedeu decisões favoráveis a nove empresas de máquinas de jogos eletrônicos. As companhias pediram de volta 900 máquinas apreendidas em 2004, alegando que a Polícia Federal poderia destruir os aparelhos. A medida cautelar do magistrado acabou sendo derrubada pela Justiça.

Operação Furacão apreendeu milhões

Os policiais passaram a noite de ontem e a madrugada deste sábado realizando a contagem das cédulas apreendidas na operação. Advogados que acompanharam parte do processo garantiram ter visto milhares de notas no interior da Superintendência da PF no Rio. "Eles estão contando milhões", afirmou o advogado Luis Marcelo Pereira, que defende o primo, o delegado da Polícia Federal de Niterói, Carlos Pereira.

Dois representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ), João Carlos Azevedo e Alexandre Vianna, disseram que quando deixaram a sala onde estava o dinheiro já haviam sido contados R$ 15 milhões. Policiais federais que participaram dos trabalhos confirmaram a informação. Oficialmente, a PF ainda não divulgou a quantia, mas informou a apreensão de dinheiro.

Investigações

Segundo o diretor do setor de inteligência da Polícia Federal de Brasília, Renato Porciúncula, as investigações começaram há um ano. "O trabalho teve início a partir do contrabando de componentes eletrônicos para máquinas caça-níqueis. Nós estamos diante de um dos maiores combates à corrupção no País, principalmente por causa dos nomes fortes envolvidos", enfatizou.

A Operação Furacão mobilizou 360 agentes federais nesta sexta-feira. Os homens eram de Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná. De acordo com o superintendente da PF na capital fluminense, Delci Teixeira, nenhum policial do Rio participou, garantindo que fosse mantido "o alto grau de sigilo" do trabalho.

Redação Terra