Furacão: prisão de bicheiro teve aplausos e vaias

14 de abril de 2007 • 02h31 • atualizado às 02h31

Ao deixar seu prédio, na Praia de Icaraí, de paletó cinza e sem algemas, no banco do carona de uma Blazer da Polícia Federal, no fim da manhã, Ailton Guimarães Jorge, o Capitão Guimarães, ainda pôde ver um princípio de tumulto entre curiosos que acompanhavam a ação da polícia na calçada.

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Algumas pessoas aplaudiram os policiais, entre elas a empresária Rita de Cássia Paiva Pereira, 47 anos, enquanto outras protestavam. Funcionários do edifício chegaram a vaiar Rita, que depois foi empurrada, xingada e ameaçada por um homem identificado apenas como Fadel.

"Não fale mal do meu patrão, senão encho sua cara de tiros", gritou o homem, com dedo em riste para a empresária. "Não tenho medo. Aplaudi mesmo. É emocionante ver a polícia trabalhando sério e em nome da moralidade deste País. Fiquei com a alma lavada só de ver essa cena", disse Rita, apontando para Guimarães sendo conduzido pelos agentes. Pouco antes, do playground do prédio, um empregado jogou água nos jornalistas que estavam na porta do edifício.

Segundo vizinhos, Guimarães mora há anos no local, mas pouco era visto nas redondezas. Em sua cobertura, há piscina, churrasqueira e sauna. Só o apartamento do contraventor teria mais de 400 m², além de uma vista privilegiada para o mar. Parentes de Guimarães não quiseram dar declarações. Eles teriam se irritado com a presença dos policiais, que chegaram ao apartamento quando o contraventor ainda dormia. Antes de ser levado, o bicheiro teria pedido aos agentes para tomar banho.

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