Bruno Garcez
De Washington
Brasil
» Bush e Lula fecham acordo sobre o etanol
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"Eu estive no Brasil há um ano com uma missão comercial americana e sei como o governo brasileiro se sente a respeito de todas essas coisas. Eles repetem que os Estados Unidos e a União Européia são protecionistas em relação à agricultura porque não querem fazer concessões em serviços e em produtos manufaturados e tentam acobertar o seu próprio protecionismo", disse.
Grassley, que já presidiu o Comitê de Finaças do Senado e que ainda é um dos seus mais destacados membros, culpa o Brasil e a Índia pelo fracasso das negociações da Rodada de Doha, da Organização Mundial de Comércio.
O senador também era contrário a que os dois países fossem contemplados pelo Sistema Geral de Preferências (SGP), o expediente que permite a países em desenvolvimento exportar alguns produtos manufaturados para os Estados Unidos sem ter de pagar tarifas de importação. Mas sua proposta acabou sendo derrotada no Congresso, no final do ano passado.
Concessões mútuas
De acordo com o senador, os brasileiros tentam acobertar o fato de que protegem a sua própria indústria da competição americana. "Autopeças brasileiras entram nos Estados Unidos sem quaisquer tarifas. Mas autopeças americanas entram no Brasil com tarifas de 35%, então que Lula não me venha falar de protecionismo. Ele está tentando camuflar suas próprias fraquezas".
Segundo Grassley, a maneira de reviver a Rodada de Doha seria através de concessões feitas de parte a parte. "Nós nos juntamos e cada um abre mão de um pouco, em agricultura, manufaturados e serviços. E em breve teremos um acordo de Doha. Mas eles querem um acordo?", indagou o senador.
"Eles não deveriam questionar os Estados Unidos. Estamos à frente desse processo há sete anos, reduzindo tarifas". Por isso, acrescentou Grassley, "nenhum socialista barato como Lula vai me dizer que nós somos protecionistas".
Memorando
Em um comunicado divulgado nesta sexta-feira à tarde, Grassley se mostrou aliviado com os termos do memorando assinado pelo Brasil e os Estados para a realização de uma parceria na produção de etanol.
No documento, Grasley se disse "feliz que o acordo não fala explicitamente sobre a construção de um projeto piloto ou de projetos pilotos para a construção de usinas no Caribe pelos Estados Unidos e pelo Brasil".
O senador, que reperesenta o Estado do Iowa, o principal produtor de etanol americano, disse temer que "tal proposta poderia fazer com que os dólares do contribuinte americano subsidiassem a produção de etanol que poderia entrar em nosso mercado e competir diretamente com o etanol produzido nos Estados Unidos".
Grassley acrescenta que viu "o etanol dar um grande impulso às comunidades rurais do Iowa. Seria contraprodutivo minar esse progresso". Mas ele acrescentou que o texto do memorando é "vago" e que por isso vai continuar a "monitorar os desdobramentos desse acordo".
Ainda que veja com ressalvas a cooperação defendida pelo presidente George W. Bush, Grassley acrescenta que o histório do líder americano em relação ao etanol é "melhor do que o de qualquer presidente".
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