Polícia estoura central de GatoNet de milícia

09 de março de 2007 • 02h45 • atualizado às 02h45

Agentes da 16ª DP (Barra da Tijuca) estouraram ontem à tarde mais uma central clandestina de distribuição de sinais de TV a cabo e via satélite ligada à milícia. Batizada de Catv System, a "empresa" funcionava numa casa no Conjunto Cesar Maia, Vargem Pequena. "Eles usavam o imóvel há pelo menos um ano. O morador foi expulso para que a central fosse montada", afirmou o delegado Carlos Augusto Nogueira Pinto.

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No local, a polícia apreendeu equipamentos eletrônicos, cabos e pelo menos três mil carteiras de assinantes do "GatoNet", com nome e endereço. A central, segundo o delegado, era abastecida por depósito descoberto semana passada. O negócio teria sido montado pelo inspetor Félix dos Santos Tostes, assassinado mês passado e suspeito de chefiar milícia na Favela de Rio das Pedras.

"Acreditamos que o depósito serviria para alimentar outros centros em Vargem Grande, Vargem Pequena, Tijuquinha, Terreirão, Recreio e este do Conjunto Cesar Maia", explicou Nogueira. Os agentes chegaram à central ao meio-dia. Eles acreditam que três funcionários ¿ dois técnicos e uma recepcionista ¿, avisados da ação, tenham fugido.

Os investigadores estimam que a central arrecadaria, em média, de R$ 50 a R$ 100 mil por mês. O investimento inicial seria de R$ 25 mil a R$ 30 mil.

Cerco aos usuários
Para cada ficha de usuário, a polícia vai abrir um inquérito. Segundo Nogueira, os clientes serão chamados para prestar depoimento e poderão ser indiciados pelos crimes de furto ou receptação de energia. As penas variam de um a cinco anos de prisão. Para ter acesso aos pacotes de canais oferecidos, os usuários tinham que pagar R$ 40 de adesão. Ponto adicional saía por R$ 10, a taxa do ponto custava R$ 12 e para ter dois pontos de canais em casa, bastaria desembolsar R$ 15.

Os pagamentos eram mensais. A central tinha até um balcão de atendimento, e funcionava de segunda à sexta-feira, das 8h às 17h, e aos sábados das 8h às 12h. "Eles atendiam chamadas sobre manutenção, como falta de sinal, além de atender novos e antigos usuários", disse Nogueira. Enquanto a polícia estava no local, houve várias ligações de clientes reclamando do serviço. Entre os equipamentos usados para reproduzir os canais, a polícia encontrou até uma peça, usada por empresa de TV a cabo, para impedir furto de sinal.

Na semana passada, a polícia estourou o depósito da CDT Comércio de Material de Telecomunicações Ltda, em Jacarepaguá. Três pessoas foram presas na Operação Frajola, referência ao gato de desenho animado. Na ocasião, foram apreendidas ainda armas e munição. Um dos sócios da empresa foi identificado como o policial militar reformado José Luiz Silva dos Santos.

Os lucros do negócio ilícito são grandes. Documentos apreendidos na CDT Comércio de Material de Telecomunicações, por exemplo, revelaram que só em setembro 45 pontos foram instalados. Naquele mês, foram arrecadados R$ 7.613,50 e os lucros, divididos por dez pessoas. A central, a maior já encontrada pela polícia, estava interligada com pelo menos mais seis unidades clandestinas, entre elas a do Conjunto Cesar Maia. Elas reuniriam aproximadamente 50 mil pontos clandestinos de TV por assinatura, além de acesso à Internet por banda larga. O negócio geraria faturamento estimado pela polícia em R$ 150 mil mensais.

A polícia acredita que técnicos de operadoras de sinais de TV a cabo e ex-funcionários dessas empresas estejam sendo aliciados por integrantes de milícias para montar as centrais clandestinas, chamadas popularmente de "GatoNet".

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