Comoção marca missa em homenagem a João Hélio

07 de março de 2007 • 12h40 • atualizado às 18h16
Mãe do menino João Hélio mostra uma cópia da Constituição brasileira durante a missa
Mãe do menino João Hélio mostra uma cópia da Constituição brasileira durante a missa
07 de março de 2007
Nivea Souza/Terra

Mais de 100 pessoas participaram na manhã desta quarta-feira da missa que lembrou um mês da morte de João Hélio Fernandes Vieites, 6 anos, no Rio de Janeiro. Além de familiares do menino, também estavam presentes parentes de outras vítimas da violência, como a mãe de Gabriela Prado Maia, que morreu aos 14 anos, após ser atingida por uma bala perdida, em março de 2003.

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A mãe de João Hélio, Rosa Vieites, aproveitou o encontro para pedir a participação da população em uma caminhada, no sábado, às 13h, no local onde ocorreu o assalto. Segundo ela, a passeata foi organizada por amigos e parentes e vai percorrer os 7 km por onde o menino foi arrastado.

"Peço que cada um, individualmente, possa colaborar com esse movimento. Queremos que a passeata acorde as pessoas para a luta", disse ela, ao fim da missa, realizada na igreja da Candelária. Depois da cerimônia, um grupo se dirigiu, em passeata até o centro do Rio de Janeiro.

Indignação
Os pais do menino levaram a Constituição para a missa, na tentativa de mostrar aos governantes que a sociedade tem direitos que estão escritos nas leis. "Toda a população se sente carente de proteção e dos direitos escritos nela (Constituição)", disse o pai, Elson Vieites.

"O tempo passa, mas a saudade só aumenta. Dentro do possível eu, minha mulher e minha filha estão voltando aos poucos para a rotina", disse ele ao fim da cerimônia.

A mãe do garoto cobrou do presidente Luiz Inácio Lula da Silva uma mudança em relação às atitudes tomadas pelo governo na área da segurança. "Gostaria que tocasse o coração dele (Lula) . Espero que ele analise e verifique se o que esta sendo feito é o melhor para a sociedade e dessa forma também espero que aconteça uma mudança no coração dele, de dentro para fora."

Depoimentos
O juiz Guaracy Viana, da 2ª Vara da Infância e Juventude do Rio de Janeiro, também esteve presente à missa. Ele disse que outras duas testemunhas de acusação prestarão depoimento na segunda-feira. Sobre o prazo em que será dada a sentença do adolescente envolvido no crime, ele afirmou que vai depender dos trabalhos da assistente de acusação.

Vianna disse ainda que o depoimento da mãe de João e do menor vão ser analisados conjuntamente e não isoladamente. "Só o contexto vai dizer a solução que será dada ao caso", alegou.

Redação Terra
 
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