Beira-Mar assistirá a depoimentos na fronteira de MS

05 de março de 2007 • 18h14 • atualizado às 18h17

Graciliano Rocha
Direto de Campo Grande

Mato Grosso do Sul


O traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, voltará a Coronel Sapucaia, cidade da fronteira de Mato Grosso do Sul com o Paraguai, no final de março para assistir aos depoimentos de testemunhas do processo que responde por lavagem de dinheiro. O juiz federal Odilon de Oliveira confirmou nesta segunda-feira que tomará depoimentos na cidade. Beira-Mar deverá ser deslocado até a região.

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Coronel Sapucaia é separada apenas por uma rua da cidade paraguaia de Capitán Bado. A região é uma das maiores zonas produtoras de maconha da América do Sul e o entreposto para a cocaína que chega ao Brasil vinda da Colômbia. Em 1999, Beira-Mar viveu em Capitán Bado , de onde teria comandado pessoalmente o tráfico de drogas e armas que abasteciam o crime organizado no Rio de Janeiro. O traficante foi preso em 2001, na Colômbia, em uma zona controlada pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

Os processos de lavagem de dinheiro presididos por Odilon surgiram em decorrência das investigações sobre uma caderneta de telefones de Beira-Mar. Nela, o traficante teria anotado o nome de pessoas e número de contas bancárias por onde circulava o dinheiro de sua rede ilegal. Pelo menos R$ 12 milhões passaram por estas contas.

Odilon de Oliveira disse que pretende ouvir os depoimentos em Coronel Sapucaia por uma razão logística. Ao invés de transportar todos os depoentes para Campo Grande, a 380 km, seria mais rápido e barato seguir até a cidade para o trabalho.

"Deslocar estas 54 testemunhas seria complicado. Algumas têm dinheiro para passagens, mas outras não. É mais barato e mais rápido para Justiça", disse o juiz. Segundo ele, as datas dos depoimentos serão marcadas ainda esta semana.

Preso no Regime Disciplinar Diferenciado (RDD) na Penitenciária Federal de Catanduva (PR), Beira-Mar conseguiu no Supremo Tribunal Federal (STF), em dezembro, o direito de acompanhar pessoalmente os depoimentos nos processos em que é réu. O traficante está no Rio de Janeiro para assistir depoimentos em outros processos que responde por tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e crime contra o sistema financeiro nacional.

A superintendência da Polícia Federal em Mato Grosso do Sul, que ficará responsável por montar o aparato de segurança para os depoimentos e a escolta de Beira-Mar, ainda não foi comunicada oficialmente da vinda do traficante no final do mês.

Redação Terra
 
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