SP: PM encerra negociação em motim de internos

04 de março de 2007 • 03h04 • atualizado às 03h04

Cláudio Dias
Direto de Araraquara

São Paulo


A Força Tática da Polícia Militar de São Paulo deu por encerrada, na madrugada de domingo, a tentativa de negociação com os 45 jovens que iniciaram uma rebelião no o Centro de Atendimento Socioeducativo do Adolescente (Casa) de Araraquara, em São Paulo. Foram cinco horas de negociação e os adolescentes continuam amotinados. Um dos reféns, que é interno da Casa, foi liberado. Outro interno e um funcionário continuam sob poder dos rebelados.

» PM se prepara para invadir Casa

As negociações deverão recomeçar às 6h. A tática da PM é vencê-los pelo cansaço.

Os jovens, que têm entre 16 e 17 anos, estão armados com barras de ferro retiradas da academia de ginástica da Casa e com facas da cozinha, que foi arrombada. Os armamentos foram vistos por João Luís Esteves, Lizânia Marquezi e Tatiana Reina, três conselheiros tutelares que entraram no local junto com a PM.

Enquanto ainda tentavam negociar, os policiais permitiram a entrada da mãe e da mulher de um dos internos na casa, cujo nome não foi revelado pela família. Joice Priscila Ramos Paulino está grávida de sete meses. Ela e a mãe do rapaz, que tem 17 anos e está há seis meses na Casa, disseram não entender o motivo da rebelião, já que consideravam a situação "normal". Elizete Tomazini afirmou apenas temer pela vida de seu filho dentro da instituição, caso a polícia resolva invadir pela manhã.

Ambas saíram da Casa às 2h30, em um último esforço de tentar conter pacificamente o motim nessa madrugada.

O motim teria começado com uma briga entre internos que se generalizou. Os rebelados já atearam fogos a colchões e a polícia ainda não sabe que tipo de arma eles podem ter dentro da Casa.

A Casa de Araraquara tem capacidade para 72 internos, entre os permanentes e os provisórios. Os jovens amotinados têm, em sua maioria, entre 16 e 17 anos e são classificados como primários graves (teriam cometido crimes como roubo, tráfico ou homicídio).

A instituição é considerada modelo em São Paulo, sendo equipada com oficinas profissionalizantes em que os internos aprendem a consertar motos e bicicletas além de serem instruídos para profissiões como eletricista e encanador.

Redação Terra
 
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