Sem lazer, agente vive preso em sua própria casa, entre familiares |
Cícero Affonso
Direto de Presidente Prudente
São Paulo
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"O agente foi obrigado, por questão de segurança, a abrir mão do seu lazer, da sua qualidade de vida e de seus familiares", disse um deles. "Basta um simples rumor de uma possibilidade de ataque para ficarmos em alerta", relatou ao Terra um carcereiro que pediu para não ser identificado.
A razão de toda essa preocupação é mais uma ameaça de ataques do PCC, a facção criminosa que aterrorizou o Estado em três oportunidades no ano passado. Os agentes da região, que têm de estar lidando diretamente com os chefões do crime organizado, temem ser mais uma vítima. De acordo com números dos sindicatos da categoria, desde que foi desencadeada a série de atentados no Estado, 19 funcionários de presídios foram assassinados.
A última vítima dos criminosos foi o diretor do Centro de Detenção Provisória (CDP) de Mauá, na Grande São Paulo, Wellington Rodrigo Segura, 31 anos. Ele foi executado na noite do dia 27 de janeiro com onze tiros. Segura estava dentro de uma Parati branca, acompanhado de uma colega de serviço, quando foi surpreendido por uma Parati escura com pelo menos dois criminosos. "A gente é uma presa fácil. Não adianta toda essa mudança de rotina. Uma emboscada põe tudo isso a perder e, infelizmente, é mais uma vida de trabalhador que vai embora", disse outro agente.
A situação de tensão parece não ter fim, dizem agentes ouvidos pela reportagem, sob a condição de anonimato. "Desde que o PCC começou a agir mesmo, não temos mais sossego. Acabou a paz. E a nossa família também sofre."
Os últimos episódios foram o quebra-quebra na penitenciária 2 de Presidente Venceslau, quando presos se recusaram a cumprir uma ordem da direção de isolar os líderes do PCC, e a interceptação de uma lista com 20 nomes de agentes penitenciários marcados para morrer.
Terror
A maioria dos agentes penitenciários não vai mais a locais públicos. Mesmo no trabalho, vive ligando para casa em busca de notícias da família. Antes de deixar o trabalho, alguns consultam colegas para saber se a "barra está limpa". Outros se organizam em grupos para ir do trabalho para casa e da casa para o trabalho.
"Andar sozinho não dá mais. Nem mesmo de ônibus, como a gente ia antigamente. Isso encareceu o nosso orçamento, mas é para a nossa segurança, né?", diz um agente, que pediu para não ser identificado temendo represálias dos criminosos.
"Não temos mais vida aqui fora. Somos presos. Aliás, mais presos que os próprios sentenciados", afirmou outro trabalhador do sistema. "Essa é a nossa vida. E isso é vida?", questiona um carcereiro com dez anos de experiência na profissão. Ele diz que esse é o pior momento da sua vida. "Desta vez está difícil. Não é brincadeira não."
Há também trabalhadores que escondem o uniforme para ir e voltar do trabalho. Outros funcionários, cujas ameaças são mais graves, estão numa situação ainda pior. Na maioria das vezes, mesmo em serviço ou a caminho, não dispensam o colete à prova de balas. Recebem um esquema especial de proteção da Polícia Militar, com infra-estrutura oferecida pela Secretaria de Administração Penitenciária (SAP).
Redação Terra