Polícia procura bandidos que arrastaram criança

08 de fevereiro de 2007 • 09h55 • atualizado às 22h05

Agentes da Polícia Civil e do Serviço Reservado (P-2) do 9º BPM (Rocha Miranda) esperam identificar e prender ainda na manhã de hoje os autores do bárbaro assassinato do menino João Hélio Fernandes, 6 anos, na noite desta quarta-feira.

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A vítima foi arrastada por 7 quilômetros e atravessou quatro bairros, presa ao cinto de segurança do Corsa prata que foi roubado próximo à praça do Patriarca, em Osvaldo Cruz, zona norte da capital fluminense, onde os bandidos interceptaram o veículo.

No carro, dirigido pela mãe de João Hélio, estavam ele, a mãe, a irmã de 13 anos, e uma amiga da família. As três mulheres conseguiram sair do veículo, mas o menino, que estava no banco traseiro, teve dificuldade para sair, ficou preso ao cinto de segurança e foi arrastado de Osvaldo Cruz até a rua Caiari, uma via sem saída, no bairro de Cascadura, zona norte, onde o corpo foi encontrado junto ao carro.

O Corsa foi deixado estacionado e fechado pelos bandidos, que foram vistos por moradores, caminhando até a escadaria, para onde fugiram.

De acordo com a polícia, algumas testemunhas, entre elas um motoqueiro que seguiu os criminosos por diversas ruas, estiveram na 28ª DP (Campinho), onde o crime foi registrado, mas não reconheceram os criminosos através de fotografias.

A polícia, no entanto, tem informação de que os bandidos seriam do Morro São José ou da favela da Fazendinha - duas pequenas favelas em Cascadura. Segundo moradores da localidade, os criminosos devem conhecer muito bem o local porque somente quem mora próximo, sabe da existência da escadaria que é um caminho em direção ao morro São José.

População tentou avisar
O bacharel em Direito Diógenes Alexandre, 24 anos, morador das proximidades, estava em um bar na esquina das ruas Cândido Bastos e Silva Gomes e viu quando os bandidos passaram arrastando o corpo do menino. Segundo ele, os bandidos chegaram a parar o carro, momento em que algumas pessoas pensaram que eles arrastavam um boneco. Mas ele e o dono do bar viram que era uma criança.

"Eram três homens que estavam no carro, tinha um sentado do banco traseiro, que ainda olhou para trás quando nós gritamos, mas eles aceleraram e passaram por um quebra-mola em alta velocidade e o corpo foi batendo no asfalto", contou.

Para Diógenes, não há dúvidas de que os assaltantes sabiam que estavam arrastando a criança. "Eles tinham retrovisores e muita gente acenou e gritou. Não dá para dizer que pelo menos o motorista não viu o que estava acontecendo. Isso dá um sentimento de revolta muito grande e eu vi até gente de idade chorar após assistir a cena. Eu estou até acostumado com a violência, quero ser advogado criminalista e tinha a opinião de que os presos podiam ser recuperados, mas depois do que vi hoje, não sei se há esta capacidade". Segundo ele, três bandidos estavam no carro e não dois, como estava sendo anunciado.

Após assistir a cena, Diógenes ficou 10 minutos em estado de choque. "Não tive nenhuma ação, só depois é que lembrei de ligar para a polícia e já era 21h40. Aí ouvi as pessoas falando que eles pararam em um sinal, pouco antes do viaduto de Cascadura, onde várias pessoas correram para avisar, chegaram a bater no carro, mas eles continuaram o trajeto, piscando os faróis", contou.

Os bandidos trafegaram pelas ruas João Vicente, Agostinho Barbalho, Dona Clara, Domingos Lopes, avenida Ernani Cardoso, Cerqueira Daltro, Florentino, entre outras. No trajeto, passaram pelo Quartel de Bombeiros de Campinho, por um quartel do Exército e pelo Fórum de Cascadura, mas não cruzaram com nenhuma viatura da polícia.

Corpo no IML
O corpo de João Hélio Fernandes, 6 anos, continua no Instuto Médico Legal (IML), no centro da cidade. Nenhum parente apareceu para liberar o corpo para o enterro até o início da manhã de hoje.

De acordo com policiais, a mãe do menino está em estado de choque e teria seguido com a filha para a casa de parentes, em Jacarepaguá, na zona oeste.

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