Violência no Rio

Violência no Rio

Quarta, 7 de fevereiro de 2007, 20h48 Atualizada às 09h22

Rio pode usar tropas para combater milícias

O secretário de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, não descartou o uso da Força Nacional de Segurança (FNS) no combate às milícias. Ele reconheceu a expansão delas nas favelas fluminenses e prometeu um contra-ataque, apesar de admitir a dificuldade legal para punir os integrantes desses grupos paramilitares.

» Cabral manda derrubar portão de favela
» Milícia fecha acessos a favela no Rio
» Cabral determina combate às milícias

Segundo o secretário, não existe a figura penal milícia. "Nem o código nem o instituto penal contemplam a figura milícia. O que caracteriza a milícia carioca, o fenômeno que está acontecendo aqui é uma série de desvios de condutas administrativas penais", disse Beltrame.

O secretário argumentou que os desvios de conduta dos policias - que "vendem segurança, usam arma fora do horário de serviço, usam identidade policial para dizer que é polícia e está em condições de prestar serviço" - precisam ser enquadrados na lei. "Não me adianta ir num lugar hoje e ver que aquela pessoa que está ali é bombeiro que está armado. Eu levo ele para fazer um procedimento (registrar uma irregularidade contra ele) numa delegacia e vou sair dali com ele (solto), porque não tem força, expressão judicial", afirmou.

As milícias já estariam presentes em mais de 90 comunidades do Rio de Janeiro. O secretário, no entanto, não quis precisar um número, alegando que não se pode "banalizar" o tema, mas admitiu que "tem em bastante" comunidades.

Apesar dos entraves legais, ele reconheceu que deve haver agilidade para acalmar determinadas angústias da população, subjugada a um poder ilegal. "A resposta vocês vão ter. Nós vamos dar essa reposta", disse.

Segundo o secretário, a motivação dos policiais que agem ilegalmente se baseia na "falsa ilusão do dinheiro fácil". As milícias são grupos formados por ex-policiais e policiais da ativa, que atuam fora de serviço, que expulsam os traficantes das favelas, cobrando taxas dos moradores e prometendo segurança nas comunidades.

O fenômeno vem aumentando no Rio de Janeiro e no último fim de semana confrontos entre traficantes e milicianos resultaram na morte de sete pessoas, deixando outras dez feridas.

A ação das milícias foi comparada pelo governador Sérgio Cabral (PMDB) a grupos paramilitares colombianos e classificada como um poder paralelo, assim como o tráfico de drogas.

  • Imprima esta notícia
  • Envie esta notícia por e-mail

Busca

Busque outras notícias no Terra: