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Congonhas: proibida operação de Fokker e Boeing

05 de fevereiro de 2007 19h47 atualizado em 06 de fevereiro de 2007 às 09h57

A Justiça Federal de São Paulo determinou, no início da noite desta segunda-feira, que, a partir da 0h do dia 8 de fevereiro, ficam proibidas as operações dos aviões Fokker 100 e dos Boeing 737-800 e 737-700 no aeroporto de Congonhas, em São Paulo. O juiz Ronald de Carvalho Filho, da 22ª Vara Cível Federal, negou o pedido do Ministério Público Federal (MPF) de fechar a pista principal do aeroporto por causa do risco de derrapagens em dias de chuva, mas determinou a suspensão da operação das aeronaves para evitar novos acidentes. As assessorias das empresas aéreas não foram encontradas para falar sobre a decisão.

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O juiz pediu ainda informações adicionais sobre o funcionamento dos Boeing 737-400 e pode também determinar o cancelamento de suas operações no maior aeroporto do País.

A decisão de proibir as operações das aeronaves surpreendeu o presidente da Infraero, brigadeiro José Carlos Pereira, que não entendeu o porquê do cancelamento da operação dos Fokker 100, por exemplo. Segundo ele, são aviões leves e que pousam em pistas com piores condições que a de Congonhas, nos aeroportos do interior do País. Ele já esperava, por exemplo, o cancelamento das operações dos Boeings 737-800, que pesam 40 toneladas e correriam mais riscos ao operar na pista danificada do aeroporto paulista, mas não pensava que outros Boeings, de menor porte, e Fokkers fossem impedidos de voar em Congonhas.

"Isso significa um caos. Estou preocupado com a imagem que a aviação brasileira terá lá fora. Não tenho idéia de porque o juiz tomou essa decisão, pois os documentos não estão na minha mão. Mas os advogados da empresa me informaram do conteúdo delas. Os detalhes vou saber amanhã (terça-feira)", disse Pereira.

O brigadeiro disse ainda que a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e a Infraero só recorrerão da decisão depois de se reunirem com o ministro da Defesa, Valdir Pires. Segundo ele, pelo menos uma empresa pode ter suas operações completamente afetadas pela decisão.

"A Ocean Air vai ser duramente afetada. Pode até sair do mercado, porque ela só opera com Fokker 100 e a maior parte de seu vôos está concentrada em Congonhas", afirmou.

Nenhum dos aviões de maior porte da TAM, os Airbus, foram afetados pela medida, apesar de serem de porte semelhante ao dos aviões proibidos.

A maior parte das operações da empresa Gol é baseada nos aviões Boeing 737-800 e 737-700. No ano passado, a aérea ampliou sua frota para 65 aeronaves, a maioria desses modelos. No balanço de 2006, divulgado recentemente, a empresa informa que ampliou seu contrato com a Boeing para aquisição de 121 aeronaves do modelo 737-800 e diz ainda que os aviões estão sendo preparados, a pedido da companhia, para que sejam desenhados para pousar em pistas curtas.

Se o magistrado ampliar a proibição para os modelos 737-400, irá prejudicar ainda mais as operações da Gol e também afetará os serviços prestados pela Varig e pela BRA, que usam esse tipo de aeronave.

A assessoria de imprensa da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) informou que o órgão regulador vai recorrer da decisão. Para a Anac, a medida prejudica o interesse dos passageiros.

Redação Terra