Traficantes preparam guerra contra milícias no Rio

05 de fevereiro de 2007 • 07h23 • atualizado às 10h33

Ernani Alves
Direto do Rio de Janeiro

Rio de Janeiro


A onda de violência registrada no Rio no final do ano passado foi apenas a primeira resposta dos traficantes às milícias que expulsam criminosos de favelas e passam a dominar as comunidades. Bandidos estão se organizando com objetivo de não perder mais territórios e recuperar áreas tomadas pelos grupos formados por policiais civis e militares, além de agentes penitenciários e bombeiros.

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Segundo investigações de setores de inteligência da Secretaria de Segurança Pública, líderes do tráfico estariam orientando seus "soldados" a guardarem o máximo de granadas para utilizarem em ações contra as milícias. Os criminosos também estariam economizando munições de fuzis e pistolas. Eles temem invasões em favelas como Metral e Vila Kennedy, na zona oeste.

Outra comunidade que estaria na mira das milícias, há pelo menos seis meses, é a Cidade de Deus. No entanto, o poder de fogo do tráfico de drogas no local tem adiado o plano de ocupação que já teria sido preparado por um grupo paramilitar.

A prova concreta de que os bandidos pretendem lutar pelos territórios apareceu neste final de semana. Quadrilhas tentaram retomar o controle das favelas do Barbante e Vila Juaniza, na Ilha do Governador, e da Cidade Alta, em Cordovil, na zona norte do Rio. Foram registrados intensos tiroteios nas comunidades. Seis pessoas morreram e dez ficaram feridas. Apesar de todas as evidências, a Polícia Militar não confirma oficialmente a existência das milícias, mas vários PMs ouvidos pela reportagem do Terra sabem dos grupos. A deputada federal, Marina Magesi, que chefiou o setor de investigações da Delegacia de Repressão a Entorpecentes, também já declarou ter conhecimento da situação.

CPI das milícias
O deputado estadual Marcelo Freixo (Psol) pretende propor nesta segunda-feira a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a ação das milícias na Assembléia Legislativa Fluminense. Um levantamento feito pelo Terra em dezembro de 2006 descobriu os valores que os grupos recebem pelos serviços que oferecem nas favelas. As milícias cobram em média R$ 10,00 por residência para manter os bandidos afastados.

Os paramilitares ainda operam transporte alternativo e centrais clandestinas de TV a cabo, oferecendo pacotes no interior das comunidades que variam de R$ 20,00 a R$ 40,00. Os moradores também precisam pagar uma tarifa de 10% do valor do botijão de gás, que tem preço de cerca de R$ 30,00.

Redação Terra
 
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