Vôo 1907: famílias protestam contra a Justiça

28 de janeiro de 2007 • 20h30 • atualizado às 21h40

Em clima de comoção, foi realizada uma missa na Catedral de Brasília neste domingo, dia que marca o quarto mês da queda do vôo 1907 da Gol, que vitimou 154 passageiros, no norte do Mato Grosso. Cerca de 20 familiares das vítimas que residem na capital federal, além de amigos, participaram da cerimônia, a segunda realizada na catedral.

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Usando fitas negras no peito e vestindo camisetas estampando fotos das vítimas do vôo 1907, a missa foi rezada sob muita emoção. Durante a cerimônia, rosas brancas foram colocadas no altar, poemas foram lidos por parentes e um minuto de silêncio foi feito ao final do encontro.

Com os encontros mensais na catedral, os familiares pretendem manter viva a memória dos mortos, além de tornar o grupo unido para trocar informações sobre o desenrolar das investigações do desastre aéreo. "Pretendemos fazer as missas até completar um ano", frisa Neuza Felipeto Machado, esposa do consultor na área elétrica e vítima do acidente, Valdomiro Henrique.

A partir de fevereiro, os familiares pretendem plantar em várias cidades do país, mudas de plantas que lembrem as vítimas da tragédia. "Serão 154 mudas mensais plantadas nas capitais do país", afirma Jorge André Cavalcanti, que perdeu o sobrinho Carlos cruz, de 26 anos, no acidente.

Os familiares reclamam da lentidão das investigações, que segundo eles não avançam. "Queremos a verdade", pontua Neuza Machado. Para Cavalcanti, há ainda muitas dúvidas, respostas que não foram dadas pelas investigações brasileiras.

Ele disse que o grupo quer um representante dos familiares junto ao trabalho de apuração da tragédia que vem sendo desenvolvido pela Aeronáutica. "Estão sempre nos excluindo. Somos sempre os últimos a saber dos acontecimentos", ressalta.

De acordo com ele, a maioria dos familiares está buscando a justiça norte-americana. "Estamos em busca de uma justiça diferente daqui do Brasil, pois lá já indiciaram todo mundo. Aqui, temos uma justiça falha e omissa", desabafou.

Agência Brasil
 
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